Hoje (31), publicamos mais uma crônica do ex-presidente da Câmara e advogado, Cícero Mascena Nogueira.
Na época de estudante de direito, na década de 80, eu não gostava muito de Recife. Pouco dinheiro, como laser somente a cervejinha do sábado com a turma de Tabira, geralmente no “Ruínas Bar” ou no “Japan”, ambos no Bairro da Boa Vista e pouco conforto faziam com que eu não gostasse muito de nossa belíssima capital. Hoje, porém, adoro o Recife. Já mais vivido, vejo Recife com outros olhos e adoro visitá-la. Ultimamente tive o prazer de fazer um passeio de catamarã pelo Rio Capibaribe. Partimos do Cais das Cinco Pontas por volta das 16 horas. O passeio durou cerca de uma hora e quinze minutos e foi agradabilíssimo. Margeamos um condomínio de luxo formado por duas torres de 40 andares cada uma. Um espetáculo de muita beleza da arquitetura atual recifense. O passeio além de passar por baixo das pontes, entre as quais se destaca a que foi construída pelo Conde Maurício de Nassau no século XVII e que leva o seu nome, pudemos conferir a beleza da Assembléia Legislativa do Estado de Pernambuco, O palácio do Campo das Princesas, o Teatro Santa Izabel, a Rua da Aurora, além de muitos outros pontos que marcam de forma inconfundível a beleza da arquitetura do Recife, que é fruto do período da invasão holandesa e também, dos Portugueses que aqui viveram.
Passear a pé pelo Recife antigo, também é uma outra oportunidade que se tem de conhecer a história de nossa capital e as curiosidades dos nomes de suas Ruas.
A história nos conta que as ruas eram batizadas com nomes que representavam seus moradores, seus costumes. Um exemplo dessa referência é a Rua do Aragão, que assim foi chamada em homenagem a um português que lá morou e construiu várias casas.
Mas algumas dessas ruas mudaram de nome com o passar do tempo. Mais especificamente no ano de 1870, a municipalidade resolveu substituir as denominações, por outras relacionadas à Guerra do Paraguai que acabara de terminar.
A Rua do Crespo, que hoje é conhecida como Primeiro de Março, recebeu esse nome em referência ao dia da batalha mais importante daquela guerra.
Entretanto, mesmo com algumas ruas com nomes já modificados, o costume do recifense não foi modificado, preservando assim a história e tradição das nomenclaturas.
Abaixo você passará a entender, a partir de agora, o significado dos nomes de algumas ruas da cidade do Recife:
Rua do Bom Jesus: recebeu esse nome por causa do antigo Arco do Bom Jesus que existia em 1850, como uma das portas da cidade. Uma das mais famosas ruas do Recife. Nela foi construída em 1635 a primeira sinagoga das Américas.
Rua da Hora: localizada no bairro do Espinheiro, foi batizada assim, em homenagem ao médico Pedro da Hora Santiago, morador há muitos anos do bairro.
Rua do Sol: localizada no bairro de Santo Antônio, ganhou esse nome pelo fato de receber na maior parte do tempo os raios solares. Seu nome foi modificado em 1884 para Rua Dr. Ivo Miquelino, mas até hoje a população preserva seu antigo nome.
Rua da Concórdia: situada no bairro de São José, recebeu esse nome após os seus dois mais ilustres moradores, travarem uma disputa para escolher qual dos deles teria a honra de ter seu nome batizando a rua. Após muita discussão em 1840, o presidente do conselho municipal, Maciel Monteiro entrou na briga para acalmar os ânimos. Lendo uma poesia de sua autoria, chamada de “A concórdia”, propôs aos brigões que a rua fosse assim chamada.
Essas são algumas das curiosidades que fazem da cidade do Recife um lugar cheio de mistérios e histórias. Mas o mais interessante são os nomes de alguns logradouros públicos que contrastam suas reais situações. Veremos alguns: Rua Nova é uma das mais antigas de Recife; Rua Velha é bem mais nova do que a anterior; Rua do Sossego já não é tão tranqüila como sugere o nome; Rua do Sol está praticamente na sombra por conta dos arranha-céus que a margeiam; Bairro de Águas Compridas tem muita deficiência de água e seus moradores acham “curta” e por aí vai.
Parabéns ao blog Tabira Hoje pela competente presença do Dr.Cícero Mascena(Cil) com seus comentários.Além do seu “arquivo cultural”,nosso Dr.Cil é uma pessoa que engrandece Tabira e sua gente.Marcílio Valadares Pires.
Parabéns ao meu amigo Cil, realmente descreveu com bastante desenvoltura as ruas do Recife com suas designações. As crônicas estão sempre com um certo de humor condizente com o autor das mesmas. Abraços
DR.Cil,preciso muito falar com vc.gostaria muito do seu telefone.por favor.
Parabenizo o ilustre amigo jurista Cicero Masceno,e peço q entre em contato com esse Email q deixei nesse grande website de voces.
Grato.