Mais de 50 poetas brasileiros e contemporâneos participam de coletânea de cordel

Mais de 50 escritores, sendo oito pernambucanos, tiveram os textos agrupados no exemplar que traz narrativas de diversos temas

Diário de Pernambuco

A imagem da literatura de cordel associa-se a versos curtos e cadenciados que preenchem folhetos pendurados em cordas. Deste modo, é difícil imaginar esses textos em um livro, ainda mais quando o exemplar tem 566 páginas. Esse é o formato da coletânea Cordelistas contemporâneos (Editora Veloso e Nordestina), cujo lançamento será nessa quinta-feira (1º), às 19h, no Bar Teatro Mamulengo (Rua da Guia, 211, Bairro do Recife). Com poetas das cinco regiões do país, a obra surgiu com a intenção de dar espaço a novos escritores e manter viva a cultura popular. A extensão do material justifica-se pela quantidade de participantes: mais de 50, sendo oito pernambucanos.

A ideia de criar uma coletânea nacional e independente partiu de Zeca Pereira, poeta natural da Bahia. Para ele, as compilações existentes dão pouco espaço aos artistas atuais, principalmente iniciantes. “Quis reunir a multiplicidade de assuntos que existem no Brasil e mostrar como essa arte [cordel] é frutífera entre diferentes gerações”, explicou, em entrevista ao Viver.

Os textos escolhidos não têm tema único, indo desde sátiras, a exemplo de O gato do capeta (Roberto Celestino, de Taquaritinga do Norte) até o empoderamento feminino, como é o caso de Mulher feito rapadura, com ela não tem moleza (Jennifer Amorim, do Cabo de Santo Agostinho). As narrativas interioranas são representadas pelos versos de O matuto e o celular (Wilson China, de Tabira).

Além dos poetas iniciantes, há também aqueles com mais de 20 anos de trabalho. Madalena Castro encaixa-se neste grupo. Fundadora da Sociedade dos Poetas Vivos de Olinda, escreve desde 1985 e trouxe para a edição a história de um jovem com desventuras no período do carnaval. “É um texto que brinca com as surpresas da festa”, explica.

Ao reunir influências de cada localidade, a coletânea Cordelistas contemporâneos também pode ser vista como fonte de pesquisa. O autor e cantador Wilson China destaca que o exemplar é um material interessante para o uso em escolas. “O cordel contribui para o ensino básico por ser um texto curto e tratar de diversos assuntos de forma simples. Isso atrai o jovem”, pontua.

Trecho de O matuto e o celular // Wilson China

Eu sempre fui um matuto Morava dentro do mato Celular não conhecia Nunca vi nem por retrato Minha vida foi tratar Do meu gado, bode e pato.

SERVIÇO

Lançamento da coletânea Cordelistas contemporâneo Quando: hoje, às 19h, no Bar Teatro Mamulengo (Rua da Guia, 211, Bairro do Recife) Quanto: gratuito. Valor do exemplar: R$ 50

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