A partir de hoje, parte dos bancários pernambucanos já estarão de volta a seus postos de trabalho. Os funcionários dos bancos privados aceitaram a proposta da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) e decidiram acabar com a greve em assembleia realizada na noite de ontem, após 21 dias de paralisação. O acordo fechado inclui reajuste 10% sobre os salários, piso e Participação nos Lucros e Resultados (PLR) e aumento de 14% sobre os valores de refeição e alimentação.
No entanto, os trabalhadores dos bancos públicos, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Banco do Nordeste (BNB), não aceitaram os acordos oferecidos e deverão continuar com a paralisação. Agora, eles esperam uma nova proposta da Fenaban. “A proposta da Fenaban ainda não é ideal, mas vai garantir pelo menos a manutenção do poder de compra da categoria”, afirmou Suzineide Rodrigues, presidente do Sindicato dos Bancários de Pernambuco (Bancários-PE), sindicato local. De acordo com ela, o sindicato continuará negociando até solucionar as pendências dos bancos públicos e mistos, lutando também pela contratação de novos funcionários.
A questão dos bancos públicos, segundo a dirigente, evolve outras questões. “Na Caixa, existe um déficit de 700 funcionários apenas em Pernambuco. O Banco do Brasil precisa de quase 300 novos servidores e o BNB, pelo menos 100. Enquanto esse quadro não é preenchido, os trabalhadores vão continuar sobrecarregados”, detalhou, explicando a persistência destes servidores em continuar a paralisação.
Suzineide destaca que, infelizmente, as negociações com os bancos públicos chegaram ao limite e que a avaliação do sindicato, seguindo o Comando Nacional dos Bancários, é de que este ano não foi possível avançar muito nas questões específicas dos bancários do BB e da Caixa. “As negociações com o BB e a Caixa foram muito complicadas, por conta da recessão econômica. Os dois bancos queriam retirar direitos e rebaixar os salários. Foi a força da greve que garantiu a manutenção do poder de compra dos bancários e de todos os direitos previstos no acordos do BB e da Caixa. A maioria dos bancários do país entenderam a orientação do Comando e encerram a greve. Mas Pernambuco decidiu continuar e o sindicato respeita a decisão da assembleia, que é soberana, e vamos manter a greve com toda força nos bancos públicos nesta terça (hoje)”, garantiu.
No Banco do Brasil, além dos pequenos avanços nas reivindicações específicas, os bancários garantiram na proposta a manutenção de todos os direitos, como o formato de pagamento semestral da PLR, que corresponde à distribuição linear de 4% do lucro líquido entre todos os trabalhadores, além dos módulos bônus e Fenaban. Na Caixa, a proposta de acordo específico garante a manutenção da PLR adicional de 4% do lucro distribuída igualmente entre todos os funcionários, a suspensão da terceira onda do programa de Gestão de Desempenho de Pessoas (GDP), fim dos 15 minutos de pausa para mulheres antecedendo a jornada extraordinária, retorno do adiantamento odontológico (a partir de janeiro de 2016), devolução dos dias descontados em mobilizações em defesa da Caixa 100% Pública e contra a terceirização, e promoção por mérito para 2017, no plano de carreira.
A proposta específica de acordo com o Banco do Nordeste será avaliada em assembleia hoje, às 18h, na sede do sindicato. Até lá, os bancários do BNB continuam em greve. Em seguida, às 19h, o sindicato realiza assembleia com os funcionários do Banco do Brasil para avaliar se a greve continua ou não diante do quadro nacional de paralisação. Por fim, os bancários da Caixa se reúnem em assembleia às 19h30 também para decidir sobre a continuidade da greve. As três assembleias serão realizadas na sede do sindicato, na Avenida Manoel Borba, nº 564, na Boa Vista.
Na assembleia de ontem, os bancários também aprovaram o acordo com o Itaú Unibanco, que reajusta o valor da Participação Complementar nos Resultados (PCR) e amplia as bolsas de estudo e o acordo com o HSBC que garante uma gratificação de R$ 3 mil para os funcionários.
