Por Adriana Domingos
O monstro da inflação dissemina um clima de instabilidade entre todos os segmentos da sociedade. Quando se pensa que está adormecida ela ressurge e aterroriza não só as autoridades políticas e econômicas, mas a sociedade como um todo.
Na década de 70 o país registrou taxas de 94,7% ao ano e 211% em 1983. Entre as décadas de 80 e 90 o Brasil passou por quatro moedas, cinco congelamentos de preços, nove planos de estabilização, onze índices para medir a inflação, 16 políticas salariais diferentes, 21 propostas de pagamento da dívida externa e 54 mudanças na política de preços.
Em 1990 o Plano Collor I, foi um verdadeiro desastre, a medida alterou a moeda e ordenou o confisco das cadernetas de poupança e contas correntes dos brasileiros por 18 meses. Após o impeachment de Collor, os índices de inflação tornaram-se absurdos, chegando a 2.708% ao ano.
Para se ter uma idéia do desastre econômico vivido no período, entre julho de 1974, e o lançamento do real, em junho de 1994, o índice geral de preços acumulou uma alta de 101 240 982 237 321%. Só em 1994 quando foi criada a URV, indexador de preços, que foi logo transformada na nova moeda, o real, pelo então ministro da fazenda, Fernando Henrique Cardoso, a inflação foi controlada e o real tornou-se uma moeda estável e concorrencial.
A elevação de preços passou a ser causada por crises econômicas, como a hipotecária americana, aumento da demanda (procura) por produtos, aumento dos preços das comodities, cuja principal responsável pelo aumento é o petróleo, também os metais e os alimentos passaram a subir rapidamente. Isso se explica a melhora no padrão de vida da população mundial, ocasionado pelo crescimento econômico, o que leva a população a aumentar seu consumo e elevar o preço dos produtos.
Já no primeiro trimestre do ano, o índice oficial do governo para medir a inflação, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), acumulou alta de 2,06%, essa elevação foi sentida pelo consumidor porque foram justamente os mais importantes para a maioria das famílias: alimentação e bebidas, educação e serviços pessoais que tiveram as maiores altas.
De acordo com projeções, a inflação brasileira deve encerrar este ano em 5,42%, devendo diminuir o poder aquisitivo da população. Como superar essa elevação nos gastos sem grandes prejuízos ao orçamento? Monitorar as despesas e diminuir os desperdícios, se um produto estiver muito caro deve-se procurar um substituto pra ele, mudar os hábitos, analisar com cuidado as pequenas despesas, evitar o cheque especial e ter uma poupança para necessidades futuras, se uma pessoa gasta mais que o necessário, em um período inflacionário ela poderá sofrer sérias conseqüências.
Fonte: IPEA