Mais poetas prestam homenagens ao poeta/escritor Zé de Mariano. Ao longo do dia, o Tabira Hoje vai publicar as homenagens. Envie a sua para flaviomarques@tabirahoje.com.br
A FAMÍLIA DE ZÉ FOI ABALADA.
NUM HÁ VERSO NO MUNDO QUE CONFORTE.
MUITAS VEZES A DOR QUE VEM DA MORTE
FAZ A BOCA FICAR SEM DIZER NADA.
MESMO ASSIM, COM A FALA AGONIADA,
VOU LEVAR UM ABRAÇO PARA OS SEUS.
QUANDO A MORTE INVADIU OS LARES MEUS,
OS ABRAÇOS ME DERAM FORÇA E FÉ.
OFEREÇO A FAMÍLIA DE JOSÉ
O ABRAÇO MELHOR VINDO DE DEUS.
Caio Meneses
NO MEU VERSO PRA ZÉ DE MARIANO
VEJO UM QUADRO DE BELAS POESIAS
OS ENCOSTOS DE SERRAS, TRAVESSIAS
E O AMOR PELO CHÃO PERNAMBUCANO
O RECEIO QUE TINHA DO ENGANO
AO FALAR NO QUE TINHA EM SEU TORRÃO
COM AQUILO QUE TINHA PRECISÃO
A CONQUISTA DO POBRE ERA COMPLETA
A ESTRADA CEIFOU MAIS UM POETA
QUE TÃO BELO FALOU “O QUE É SERTÃO”
SUAS GLOSAS AS VEZES PARECIA
COM UM ANO DE INVERNO BEM SEGURO
COM GALINHAS CISCANDO NO MONTURO
LOUVAÇÃO, VIVA DEUS, AVE MARIA
COM O VENTO DO NORTE QUE FAZIA
SURRUPIOS DAS FOLHAS DE UM OITÃO
FOI CAPAZ DE PEDIR ATÉ PERDÃO
AO SERTÃO POR SAIR DE SUA META.
A ESTRADA CEIFOU MAIS UM POETA
QUE TÃO BELO FALOU “O QUE É SERTÃO”
Kayson Oliveira Pires
ZÉ FALAVA DO SERTÃO
COM MUITA PROPRIEDADE
FALOU DA MATA, DA SERRA
COM TANTA BOA VONTADE
SERTANEJO INTELIGENTE
QUE AGORA DEIXOU AGENTE
SOLUÇANDO DE SAUDADE.
A FALTA DA POESIA
ABALA TAMBÉM A FÉ
FALTA MARCHA PRA SEGUIR
NÃO EXISTE MARCHA RÉ
SE RECLAMO O UNIVERSO
CHORA A RIMA E GEME O VERSO
SENTINDO A FALTA DE ZÉ.
Geneci Cristovão
ZÉ FOI UMA HUMILDE PESSOA
DE MUITA SINCERIDADE
PREGAVA SEMPRE A VERDADE
HOMEM SIMPLES, GENTE BOA
NÃO FAZIA NADA À TOA
O QUE FAZIA ERA COM AMOR E FÉ
DE SERRA A SÃO JOSÉ
O PAJÉU TODO PADECE
O SERTÃO HOJE ENTRISTECE
SENTINDO A FALTA DE ZÉ!
Paula Amaral Pires
A MORTE SE ENGANOU,
COM A MUDANÇA DE ANO
LEVOU O ZÉ ENGANADO
E PERDEMOS COM O ENGANO,
DE RISADA ENTRISTECIDA
A MORTE TÁ É ARREPENDIDA
POR LEVAR ZÉ DE MARIANO
EM ORAÇÕES E PEDIDOS
ACOMPANHADOS PELA FÉ
PEDIMOS Ó TRAIÇOEIRA
QUE DESFAÇA ESSE OLÉ
MUDE TODOS OS PLANOS
A ELE DÊ MAIS 100 ANOS
MAS DEVOLVA O NOSSO ZÉ.
André Miron
Não faz muito tempo a grande maioria andava de trem, a cavalo, jegue, mula, carros de tração animal.
Hoje, boa parte possui automóveis e motocicletas cada vez mais potentes e velozes e se matam como moscas.
Sempre temos noticias de famílias inteiras abreviando a existência por conta de alguma imprudência.
Todos ficam chocados, lamentam, fazem alaridos e homenagens, mas o comportamento não muda.
Parece que é preciso ter sempre uma tragédia fresquinha para chorar!
Chorando a morte de Zé!
Tabira está enlutada
Chorando à morte de Zé
Mariano foi de fé
Tinha a caneta pesada,
Mas capotou na estrada
Seu barco de ilusão
Em memória a meu irmão
Pinto de preto a viola
Em Tabira a lágrima rola
Em cada palmo de Chão!
1
Zé tinha facilidade
Com muito gosto escrevia
Um gênio da poesia
Com a força da divindade
Recitava na cidade
E pra fora fez excursão
Com a cara do sertão
E com jeito de fazendola
Em Tabira a lágrima rola
Em cada palmo de chão!
2
Partiu Zé de Mariano
Pra o reino do paraíso
A arte com prejuízo
Sente um desgosto tirano
Foi bom poeta e bom mano
Em qualquer repartição,
E quem viu Zé num caixão
A emoção não controla
Em Tabira a lágrima rola
Em cada palmo de chão!
3
(Gilson Melo), 03/01/2014