Bloco tabirense abre série de reportagens em blog da região

Na minha estréia como colunista do jornal e blog Folha do Pajeú, capitaneados pelo amigo jornalista Mário Viana, fiz questão de divulgar através de reportagem, o que há de melhor na Terra das Tradições. Aproveito para compartilhar com os internautas do Tabira Hoje o texto publicado na tarde desta sexta-feira.

A boêmia faz da segunda de carnaval, o mais charmoso dia da folia em Tabira.

A folia dos boêmios de Santana do Agreste de Jorge Amado e sua Tiêta, aportou em Tabira e esse ano desfilou sua maioridade.

Cavalheiros

Cavalheiros da Rosa Mística posam para foto oficial em frente a Escola Carlota Breckenfeld. Foto: Maria Ruana.

Foi do romance Tiêta do Agreste, de Jorge Amado, que os Cavalheiros da Rosa Mística surgiram no carnaval de Tabira e até hoje comandam a folia da segunda-feira. Desde a fundação em 1995, a turma formada só por homens, desfila pelas ruas sem dispensar os trajes típicos do boêmio: a calça, o chapéu de massa e o sapato, na cor branca. Ao som de frevos e marchinhas, eles exaltam o estilo dos antigos carnavais.

Betom adaptou parte da sua residência pra receber os cavalheiros nos finais de semana e guarda nas paredes as fotos oficiais das saídas do bloco

Betom adaptou parte da sua residência pra receber os cavalheiros nos finais de semana e guarda nas paredes as fotos oficiais das saídas do bloco

A ideia surgiu do professor Antônio Humberto Pereira, o popular Betom, que após assistir a reprise do famoso folhetim global, Tiêta, reuniu um grupo de amigos para fundar o bloco. A novela baseada na obra do escritor baiano mostrava as aventuras de um grupo de boêmios que dividiam a vida social entre a família, a igreja e  os prazeres da zona. Mas Betom adverte que os Cavalheiros de Tabira não seguem a risca a rotina dos “amigos” da novela.

Em 2013, os Cavalheiros da Rosa Mística chegou a maioridade, completando dezoito anos de uma tradição que já faz parte da cultura local. No início eram sete, esse ano o bloco saiu com o maior número de integrantes desde sua fundação, trinta e seis cavalheiros. Para fazer parte do grupo são levados em conta alguns requisitos fortemente analisados pelos veteranos. “O comportamento do indivíduo e a sua conduta social são quesitos relevantes para entrar no grupo, não importa suas condições financeiras, o novo cavalheiro tem que gostar da boêmia.”, explica Betom, revelando ainda que nos cavalheiros tem de poeta a desembargador.

Toda segunda-feira de carnaval, os tabirenses já aguardam ansiosos o desfile dos charmosos Cavalheiros da Rosa Mística. Às sete da manhã é servido um café reforçado, eles se reúnem na “confraria”, espaço adaptado por Betom nos fundos da sua residência. De lá seguem até a Escola Estadual Professora Carlota Breckenfeld, primeira escola do município e onde estudou a  maioria dos cavalheiros, para tirar a foto oficial na famosa escadaria.

desfileOs homens seguem pelas ruas e muitas vezes são convidados a visitarem algumas residências, onde são recebidos com salgados, quitutes e bebidas. A folia segue e passa em frente a igreja, lá os cavalheiros fazem questão de tirar o chapéu em reverência a padroeira da cidade, Nossa Senhora dos Remédios. A turma todo ano faz sua apoteose em algum lugar, quando não é na confraria, seguem para o Tabira Campestre Clube onde a farra não tem hora pra acabar.

Pensando na continuidade do bloco, os pais já introduzem os filhos na folia, como forma de não deixar morrer a tradição. Os três primeiros cavalheiros mirins Raul, Elvis e Hélder, hoje, adultos e enquadrados como veteranos, dão lugar aos pequenos foliões, que assim como eles, serão o futuro do grupo.

As únicas presenças femininas entre os homens são as da madrinha e da rainha. Fixa no posto de madrinha dos Cavalheiros, Marilza Pires, foi escolhida por unanimidade, e guarda o sentimento de gratidão pelo seu incentivo e carinho que sempre teve com o bloco. Já a rainha teve seu posto instituído em 2012, sendo a coroa repassada todos os anos para uma nova regente. Esse ano Sara Ferreira, ocupou o posto deixado pela primeira rainha Ana Rosa Rocha.

Os Cavalheiros têm uma missão para 2013, que é registrar o grupo nos meios oficiais e construir uma sede que abrigue seu acervo e sirva de ponto de encontro e lazer. Betom deixa claro que o bloco se mantém com recursos próprios, na famosa “cota” repassada por cada cavalheiro.

Quem pensar que a folia dos Cavalheiros da Rosa Mística acaba na quarta-feira de cinzas está enganado. Todos os finais de semana os boêmios fazem questão de se reunirem na confraria para relembrar dos antigos carnavais, dos dez companheiros já falecidos e ouvir o que há de melhor na música popular brasileira.

Rebelião feminina na folia dos cavalheiros

As Damas da Rosa garante presença no desfile dos Cavalheiros e há quem diga que a presença delas deu um charme a mais na segunda de carnaval. Foto: Maria Ruana

As Damas da Rosa garante presença no desfile dos Cavalheiros e há quem diga que a presença delas deu um charme a mais na segunda de carnaval. Foto: Maria Ruana

Longe de ser um bloco machista, os Cavalheiros da Rosa Mística, desde a sua fundação, sempre foi direcionado ao público masculino. As mulheres dos integrantes sempre reclamavam o direito de seguir os maridos, namorados ou noivos durante o percurso da folia, mas sempre eram “vetadas” suas participações no trajeto.

Betom explica que as mulheres sempre encontravam os cavalheiros no local onde o bloco fazia sua festa, na maioria das vezes no Tabira Campestre Clube. “Por ser uma confraria só de homens, achávamos melhor que as mulheres não participassem, porém, no Clube de Campo elas estavam presentes e curtiam a festa ao nosso lado.”, frisou.

Antes do carnaval do ano passado a esposa de Betom, Ângela, juntamente com a cunhada, Socorro Amorim e a amiga Leide Pinheiro, quebraram o jejum de 17 anos e deram a palavra final: as mulheres iam sim acompanhar os Cavalheiros. A atitude das três ganhou a simpatia das outras e assim nasceu o bloco Damas da Rosa, que em 2013, na sua segunda edição, deu sequência aquilo que de início era fora de cogitação.

De rosas nas cabeças e seguindo o compasso dos cavalheiros, as damas é a mais nova atração do carnaval de Tabira. Há quem diga que a participação delas na folia deles embelezou mais ainda a tradicional segunda de carnaval na cidade das tradições.

José Ivan Dias- Jornalista DRT/PE 4.444

Fotos: Maria Ruana

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