Por Fernando Felipe (críticas, ofensas e sugestões: felipe_scp@yahoo.com.br).
Cabe ao município, como todos sabem, a responsabilidade pela Educação Básica dos seus cidadãos, sendo ela também normalmente dividida com o Poder Estadual. Em Tabira, segundo dados do INEP (2009), 1.565 alunos do ensino fundamental estão matriculados nas escolas estaduais, enquanto 3.616 (2.878 no fundamental e 738 no pré-escolar) estão matriculados nas escolas municipais. Estas últimas são sempre tratadas com carinho de mãe coruja pelos nossos gestores, não é mesmo? Continuo…
Problemas gerais. Não tenho autoridade para isso, e também não vou precisar ficar descascando os problemas responsáveis pelo fracasso no ensino Brasil afora, tão tratados pelas revistas de educação e outros meios. Estão entre eles a ausência das famílias na assistência escolar dos filhos, a negação da autoridade da escola, todos aqueles dramas do professores, etc. No entanto…
Política x Educação. No entanto, há um problema tipicamente nosso que as revistas de educação não comentam, e talvez não façam sequer idéia de que ele aconteça com tanta força. Trata-se da intervenção negativa da política(gem) na determinação dos rumos da educação por aqui. Esse é um problema nosso, e não adianta nada esperar uma resposta vinda de fora. É necessário coragem para enfrentá-lo porque ele trará cara feia e ranger de dentes dos desgostosos. Numa cidade pequena como a nossa, onde os votos são disputados a tapas e pontapés, a educação da molecada acaba ficando sempre em segundo plano, dando lugar aos interesses eleitoreiros e oportunistas do momento.
Nesse instante, o corpo docente do município conta com aproximadamente 163 professores. O número é insuficiente tendo em vista que muitos deles, por problemas diversos, não estão em sala de aula. Vários professores da rede municipal, por exemplo, mesmo tendo completado o tempo de serviço, não podem se aposentar porque o INSS que foi recolhido dos seus salários não foi repassado para os fundos de aposentadoria pelos governos anteriores (ou seja, a prefeitura pegava e marotamente gastava com outra coisa). Além de impossibilitar a aposentadoria, isso ainda inviabiliza a realização de um novo concurso. Bora lá, mas e o vazio deixado por eles em sala de aula, como é que fica? É preenchido por professores estagiários e contratos temporários. E como eles são selecionados? No “dedo”.
Mérito pessoal x Escolha política. É nosso dever exigir que haja seriedade tanto na seleção para estagiários (a última foi com Dinca, no começo do mandato) como em concurso para professores (no último não sei se eu era nascido), em que se leve em conta apenas o mérito pessoal e o fator inteligência, e exclua a seleção na base do “dedaço”, da escolha política, em que a qualidade do professor é o menos importante. É claro que bons professores acabam sendo “escolhidos” no dedo pelo gestor, mas é algo ocasional e não é uma regra. Pode ser que o “escolhido”, por exemplo, seja menos “sabido” do que as próprias crianças, como já vi acontecer, e então o desastre estaria montado e o futuro daquela garotada comprometido. O “dedaço”, insisto, é prática mais que comum em Tabira, e como se sabe, numa das últimas seleções realizadas, em 2009, a lista de “convocados” não seguiu exatamente a ordem das melhores notas. Depois disso, todo ano há agora uma tal de “seleção por currículo”. Sei cá qualé o currículo. Mas de um prefeito que chama professor de “educandário” dava pra esperar outra coisa? É a lição que fica: “num educação ruim, não há nada que não possa ser piorado”.
Compromisso dos candidatos? 2012 é ano de eleição, e em 2013 começa uma nova gestão no município. Mesmo achando impossível que façam, é preciso pressionar para que oposição e situação se comprometam a instituir o mérito pessoal como critério de escolha dos profissionais da educação (pelo menos da educação!). Como cidadão, sei que é nosso papel exigir que o futuro dos nossos garotos não seja trocado por meio punhado de votos. Nossa cidade só terá mesmo futuro quando o futuro deles estiver enfim a salvo da politicagem sacana da nossa terra. Alguém duvida?
A educação será um belo fututo Felipe, se tiver um bom investimento e capacitação constante, professores dedicados com a causa, tirar tudo para longe onde existem politicas partidarias e politiqueiros, separar definitivamente este mal, antes de se pensar em EDUCAÇÃO DE QUALIDADE, a educação deve entender problemas passados para pensar no presente e formar recursos humanos qualificados para o nosso futuro. O investimento é chance promissora para a cidade e para o país, porém, os resultados não são de curto prazo. São os investimentos nas crianças que nos trarão um futuro melhor. A educação é um paciente; se o médico não atende a tempo ele piora. Não tratar das dificuldades de um aluno do nível fundamental relacionadas a cada materia dada, pode resultar no mal crônico de sua aprendizagem. O sistema educacional deve estimular a criatividade e desenvolver a inteligência dos estudantes, com metodologias de aprendizagem que expandam nos jovens o horizonte do conhecimento e os tornem mais criativos e inovadores para enfrentar os desafios que os confrontarão na sociedade futura. Pescou?
Perfeitamente, Rosa. Obrigado pelo comentário.
Essa coisa da escolha política ao invés do mérito pessoal é o primeiro problema que vou tratar aqui, espero que você dê sua contribuição nos outros. O pessoal não tá muito acostumado a discutir educação, mas creio que vamos dar um passo importante aqui.
No próximo texto falo de algumas alternativas para o bom estudante “driblar” o sistema ruim de ensino. Como o Geraldo fala abaixo, é preciso ter um pouco de compreensão com certas coisas, como a má formação de alguns professores. É sensível esse problema. Mas o futuro da molecada é mais importante que eles.
Reconhecer o mérito do professor esforçado é o 1º ponto. A seleção tem que ser na base da PROVA, e a convocação na ordem das NOTAS.
Concorda?
Sim.
Na terra que teve Enildes Marinho, Celeste Vidal, Dedé Monteiro e tantos professores excelentes, trazer a educacao novamente como uma Tradição na Cidade das Tradições é muito importante. Fico feliz! Muito feliz! Continue com a ideia! Espero que receba apoio desse povo! Parabéns!
Perfeitamente, Décio. Incluiria Genildo Santana nesse rol de grandes…
Abraço! Semana que vem estamos de volta!
É uma pena ver que pessoas que acabaram de entrar em uma faculdade (e que não sabe nem ó que são os PCNs nem a LDB) tomem o lugar de pessoas que já estão bem a frente, e o mais importante, capacitadas para exercer a profissão que escolheram. Vemos a educação em Tabira, como mais um cabide de emprego. O pior é que os únicos prejudicados são os próprios alunos aprendendo (ou pensando que aprendem) escutando “pobrema”, “culé” ou no mínimo “o estado do Nordeste tem 7 estados”…… Meu Deus…
Cabe aos pais (que pensam que os filhos aprendem) diante de tanta barbaridade, cobrar, não só dos professores, pois muitos não têm culpa da má formação que possuem, mas também daqueles que são responsáveis por colocá-los em tal patente. Que sejam cobrados, pela secretaria de educação, não só no momento da contratação, mas também durante todo o tempo de serviço, bons currículos, boas práticas de ensino e o principal, bons resultados. Contentar-se com a divulgação de notas tão baixas, só porque foi 0,1 maior que a do ano anterior é tentar diminuir a capacidade de aprendizagem dos alunos e duvidar da inteligência dos pais…
Alguns professores sim, é que deviam fazer provas, cuidar em estudar, se aperfeiçoar, atualizar-se e provar que estão capacitados para exercer o magistério.
Ainda tenho esperança que entrem para esta carreira e para os cargos de autoridade pessoas que saibam, no mínimo, a importância de alfabetizar uma criança!
Opa, Geraldo! Valeu pelo comentário…
Vamos colocar a educação como um ponto no debate por aqui. E principalmente insistir nesse ponto da questão no mérito.
Selecionar professor na base do “dedo” é a maior sacanagem que podem fazer com o esforço alheio. Como disse no comentário acima, reconhecer o mérito do professor esforçado é o 1º ponto na busca da qualidade. A seleção tem que ser na base da PROVA, e a convocação na ordem das NOTAS.
Na semana que vem vou tratar de outro problema, espero que você contribua novamente. Abraço!!!
Otima analise. Sou professora de uma cidade vizinha a sua, e o problema é o mesmo. Isso acaba com a gente. Isso empede que o pessoal se esforçe pra superar as dificuldades por que sabem que quem puxou o saco ou tem um “peixe” é que serao chamados nessa “seleção por currículo”.
Quem paga o pato são as crianças, que vão ficar reféns desse joguinho, e os bons professores, que ficam refém do politiquismo. Parabéns, e divulgue isso! Abração!
Exatamente isso, Maria José…
Obrigado pelo acréscimo. A competição pelo emprego é justa, e beneficia o bom professor.
Sinta-se solidária nessa causa. Abraço!
ee… nossa educacao esta indo pras cucuias…
ninguem fala… alguem precisa falar. ta certo
ta na hora mesmo
Parabéns pela matéria Fernando Felipe, isso nos mostra que pessoas bem jovem como você tem alguma coisa na cabeça. A educação aqui em Tabira tem mais um problema. Aqui tem um sindicato dos professores que não funciona bem. Se funcionasse não se calava quando um professor descontou o INSS do seu salário e a prefeitura não repassou e o professor não pode se aposentar. O que é isso? e cadê esses professores prejudicados que também não reage. Ô povo passivo… Chego a pensar que isso não é verdade.
Opa, José… Não me informei da situação jurídica, ou se sequer entraram com alguma coisa na justiça, ou por quanto tempo a prefeitura “comeu” o INSS. Quando me informar dos detalhes, comento. De qualquer forma, uma ação contra o Estado demora bastante (e bota bastante nisso)…
Quanto ao sindicato, imagino mesmo que não funcione bem. Com o clima político daqui qualquer entidade tem sua saúde comprometida e seus membros, mesmo indiretamente, envolvidos com picuinhas.
Abraço!
Corrigindo: Quando disse capeça, lê-se cabeça.
Quando disse apossentar, lê-se: aposentar.
Quando disse prejuticados, lê-se: prejudicados
O promotor Leôncio Tavares Dias está acionando a Prefeitura de Tabira por improbidade administrativa. E mais, pede a cassação do Prefeito Dinca Brandino, do PSB. A alegação é a de excesso de contratações temporárias infringindo a princípio do concurso público.
Tabira tem 494 contratados contra 444 funcionários concursados. Diz a ação : “É uma absurda desproporção e uma burla ao princípio do Concurso Público”. Ao final, alegando descumprimento doloso (intencional) à constituição Federal e da Lei Municipal 019/97, pede a perda da função pública, suspensão dos direitos políticos de três a cinco anos e proibição de contratar novas pessoas.
Em trecho do processo, promotor diz que o que ocorre “é o ingresso nas funções de provimento efeitivo dos eleitores do prefeito, criando vinculação no processo eleitoral”.