Flor-do-paraíso, pau-rosa, flamboyant, acácia-rubra, não importa como queiram chamar, era o detalhe em início de floração na futura praça Gonçalo Gomes, em meados de agosto de 1929, mais precisamente no dia da festa da padroeira. Somente em outubro ela exibiria sua plena cabeleira vermelha. Além do seu importante valor ornamental, era refúgio ante o calor da longa temporada de sol que se iniciava. Principalmente aos animais que dividiam livremente o nobre espaço com as gentes daquele tempo. A praça sem calçamento, sem outro equipamento urbano daqueles que hoje desarmonizam a estética citadina. Somente o solo, o torrão natal, da vila de Espírito Santo. Única exceção, um pequeno cruzeiro de alvenaria bem em frente à capella (grafia da época) da Senhora dos Remédios.
Este é o cenário, entrecortado de festivas bandeirolas, que permitiu ao padre João Rodrigues organizar os diversos fiéis, de diversas congregações religiosas e gente simples dos sítios em derredor, todos em genuflexo diante da sua padroeira. A santa que haveriam de tornar aquela singela vila na cidade que o futuro-hoje destacaria na ribeira do Pajeú.
No ano anterior, um jovem de 33 anos, Pedro Pires Ferreira, era eleito para a prefeitura da do município, cuja sede era a cidade de Afogados da Ingazeira. Pedro assumia a prefeitura e, ao mesmo tempo, uma longa liderança política que somente seria encerrada em 1967, ano de sua morte. Sua residência era bem ali onde a foto, como se fosse o olhar da senhora da capella atravessando toda o comprimento do “quadro da rua”, a futura praça, vislumbrava. A casa se destacava pela altura do seu pé direito e por ser a única de três amplas janelas, além da porta hospitaleira.
Hospitaleira como aquele flamboyant em frente à casa de Florentino Leite, Seu Flor.
Texto: Sidnei Pires / Foto: Arquivo Carlos Celso Cordeiro

Na realidade a foto foi reproduzida do livro NOTAS PARA A HISTÓRIA DE TABIRA do médico José Edson e Moura.
Como é gratificante rever referências de nossa história. Porém, além do flamboaiã,
alguns animais e outros ícones citados, cada personagem dessa imagem plástica é um/uma sujeito ativo que fez essa história….
Uma proposição: que tal confeccionarmos uma coletânea do nosso ontem?!? … a ideia esta lançada … Repito: Fomos e somos sujeitos ativos de nossa história …. abraços
Bela descrição, Sidnei.
Que satisfação ver essa foto. Antes da Praça Gonçalo Gomes o que tinha nesse espaço central, só o espaço mermo? Interessante como tá parecendo com o Bairro São Pedro de agora, próximo a Jureminha, com aquele espaço vazio no meio, pronto pra se fazer um praça, não acham?
Concordo com o professor Romildo. Imagine mostrar fotos desse e de outros cenários de tempos em tempos, evidenciado as mudanças de nossa terra, de suas paisagens…
Abraço!
Realmente esta foto consta no livro “NOTAS PARA A HISTÓRIA DE TABIRA”, de autoria do ex-Prefeito de Tabira, o médico José Edson de Moura. A original entretanto encontra-se afixada na parede da Biblioteca Pública de Tabira, no entorno da Praça principal da Cidade. Constando, bem como também, várias outras fotografias de epóca, algumas bem características como a de “um motor sendo benzido” ou a “Praça que existia no local onde hoje é a Rodoviária”. Vale a pena ir lá conferir.
Esta foto em particular parece-me verdadeiramente importante, por tratar-se, a princípio, dada uma pesquisa que venho a algum tempo realizando, da foto “urbanista”(retrata o espaço externo construido/alterado pelo homem) mais antiga da cidade. Já tive conhecimento de fotos pessoais (de individuos, celebrações internas e interiores de locais) e naturalistas (local ainda intocado ou pouco alterado pelo homem) mais antigas, mas esta é especial, dado o seu valor histórico e arquitetônico.
Rogo a todos quantos este virem, que enviem para publicação neste ou em outro site, as fotos e outros documentos que possuirem, buscando tentar descrever a mesma, Salvaguardando assim uma partícula da nossa história, tão preciosa. Esta atitude ajudaria bastante este subscritor em um projeto que venho trabalhando já a alguns meses, e que em um futuro próximo pretendo realizar. Abraços a todos.
Antes de tudo, eu gostaria de parabenizar o Sidnei pelo ótimo desempenho na construção do relato. Achei interessantíssima a ideia do Prof. Romildo, no que se diz respeito ao uso de imagens antigas da cidade para uma melhor compreensão de como era nossa amada Tabira, e as mudanças estruturais que aconteceram no decorrer dos anos. Porém, não é interessante que essas fotos sejam colocadas de uma forma irônica, aproveitando o deixa para criticar as gestões anteriores ou à atual. Tudo bem, devemos manter nossa chama acesa, cobrando com coerência do poder público uma administração correta para nossa cidade, mas, vamos aderir um pouco a nossa própria história. Nem tudo é política. Nem tudo é luta, meu povo guerreiro.
Verdade camaradas, já “quem” devia fazer não faz… Então, estamos fazendo!
abraços