Zilda Arns morre no Haiti vítima do terremoto

A médica pediatra e fundadora da Pastoral da Criança, Zilda Arns, morreu vítima do terremoto de 7 graus de magnitude que atingiu nesta terça-feira o Haiti, onde estava para uma missão humanitária. A senadora Ideli Salvatti, do PT de Santa Catarina, informou a morte de Arns após participar da reunião, em Brasília, sobre a situação dos brasileiros no país. Segundo Salvatti, assessores do planalto informaram ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que Arns estava na rua quando o tremor ocorreu, segundo a Folhaonline.

O Ministério da Defesa do Brasil confirmou que quatro militares brasileiros também morreram e outros cinco se feriram. A Federação Internacional da Cruz Vermelha (FICV) afirmou que suas reservas de emergência do Haiti são suficientes para ajudar 3.000 famílias por apenas três ou quatro dias e pediu uma operação de ajuda internacional em massa para ajudar as vítimas. Ainda não há números oficiais de mortos, mas as autoridades temem que possam chegar aos milhares diante do estado de devastação e o desmoronamento de centenas de prédios. O Brasil comanda cerca de 7.000 soldados da Minustah no Haiti, enviada ao país em 2004, e tem cerca de 1.300 homens na região.

Zilda Arns

QUEM ERA ZILDA ARNS

A fundadora da Pastoral da Criança, Zilda Arns, morreu em decorrência do terremoto de 7 graus de magnitude que atingiu o Haiti nesta terça-feira. De acordo com a pastoral, Zilda estava no país desde a última segunda-feira, para participar de um encontro com religiosos, segundo a Folhaonline.

Nascida em 1934, ela era representante da CNBB (Conferencia Nacional dos Bispos do Brasil) e fundadora também da Pastoral da Pessoa Idosa. Zilda ainda era membro do Conselho Nacional de Saúde e membro do Conselho Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.

Tia do senador Flávio Arns (PSDB-PR), viúva e mãe de cinco filhos, ela era empenhada em causas ligadas ao combate à mortalidade infantil, desnutrição e violência familiar. Ela chegou a ser indicada ao prêmio Nobel da Paz em 2006 e recebeu outros diversos prêmios.

Zilda acreditava que a educação é a melhor forma de combater a maior parte das doenças de fácil prevenção e a marginalidade das crianças. Desenvolveu uma metodologia própria de lidar com a solidariedade entre as famílias mais pobres. Costumava citar sempre o milagre bíblico da multiplicação dos dois peixes e cinco pães que saciaram 5.000 pessoas, como narra o Evangelho de São João.

A Pastoral da Criança, Zilda criou em 1983 juntamente com Dom Geraldo Majella Agnelo, arcebispo primaz de Salvador (BA) e presidente da CNBB. No mesmo ano, deu início a experiência de um projeto-piloto em Florestópolis, no Paraná.

Entre os prêmios internacionais recebidos por Zilda estão o Prêmio “Heroína da Saúde Pública das Américas”, concedido pela Organização Pan-Americana de Saúde, em 2002; o Prêmio Social 2005 da Câmara de Comércio Brasil-Espanha; a Medalha “Simón Bolívar”, da Câmara Internacional de Pesquisa e Integração Social, em 2000; o Prêmio Humanitário 1997 do Lions Club Internacional; e o Prêmio Internacional da OPAS em Administração Sanitária, 1994.

No ano passado, uma ONG ligada a Zilda foi investigada pelo uso de recursos públicos de forma irregular no pagamento de dirigentes da instituição. A Justiça Federal no Paraná condenou a ONG a devolver recursos públicos usados. A Pastoral da Criança informou à Folha Online que ela estava no Haiti em uma missão humanitária.

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