
Pouca gente sabe, mas Tabira tem uma rainha. Rainha essa que não habita nenhum castelo, mas milhares de lares ao mesmo tempo. Impera soberana, com olhar atento e coração sempre aberto aos inúmeros pedidos que lhe dirigem. No ofício intitulado de quem muito sabe de leis, é advogada de homens e mulheres, os quais nos processos da consciência recorrem a Ela por uma intercessão maior; Nossa Senhora dos Remédios: “Bússola Nova, Velho Ancoradouro”.
É impossível descrever a fé do povo tabirense sem falar de sua padroeira. Foi à Nossa Senhora dos Remédios que em 1883, João Fernandes de Lima- benfeitor e um dos fundadores da cidade- doou parte do seus hectares ao patrimônio da Rainha dos Céus, para que fosse construída uma capela. Iniciava ali, as primeiras atividades religiosas da pequena povoação sob os cuidados de uma zelosa mãe. E não sabe João Fernandes, que após dois séculos, quando do seu presente dado em hectares, a fé se multiplicou e essa mãe ainda se mantém intacta e fiel as suas obrigações.
Em 1898 foi celebrada a primeira missa na nova capela, construída onde hoje está localizada a igreja matriz. O mês de agosto, que na cultura popular representa um período de temor, para o tabirense é convertido em tempo de amor, fé e devoção. Tabira se acende no mês de agosto. As luzes que enfeitam a igreja representam a fé de muitos, e até mesmo daqueles que nem a têm. Os cheiros, as cores, o parque, a maçã do amor, o algodão doce e os anjos, são componentes desse festejo que fazem inveja aos céus.
A Diocese de Pesqueira criou a Paróquia de Tabira em 1926, oficializando a vida católica em nossa então Vila do Espírito Santo. A festa cresceu, a Virgem dos Remédios ganhou devotos que ultrapassaram as barreiras do município. Nos pequenos oratórios, nas capelinhas das estradas, na zona rural e no coração de muitos, Ela tornou-se a luz que leva os desvalidos ao caminho da redenção.
Remédio para as dores do corpo e da alma; mãe dos excluídos, idosos, crianças, presidiários, enfermos, jovens, homens e mulheres; que o teu manto protetor acolha todos os necessitados de paz e saúde. Mantenha a coragem desse povo sertanejo que não teima em desistir quando a bonança da chuva não vem; abençoa este grande lar de gente devotada a Deus.
“Tu és disponibilidade e receptividade. Tu és fecundidade e plenitude. Tu és atenção e solicitude pelos irmãos. Estás revestida de fortaleza. Resplandecem em ti a maturidade humana e a elegância espiritual”¹. Nestes 85 anos de festa dedicada à tua realeza, os irmãos tabirenses possam entoar numa só voz que “és nossa esperança ó mãe padroeira”².
José Ivan Guedes de Melo e Dias
Jornalista
1- Inácio Larrañaga
2- Trecho do Hino da Padroeira Nossa Senhora dos Remédios.
A primeira missa provavelmente foi celebrada pelo padre Pedro de Souza Pereira que, até 1910, quando faleceu, celebrava as missas da Matriz de Afogados e das capelas de Colonia, Ingazeira. Padre Pedro batizou Cícero Mascena, em 1894, e Pedro Pires, em 1895.
Ah! Ia esquecendo: o padre Pedro era irmão de Antonio Pereira de Souza, bisavô de Totonho Valadares, prefeito de Afogados.