
Qual o objetivo do lançamento desta terceira edição do livro “O Canto do Acauã”?
Com a última edição já esgotada há alguns anos, havia uma certa cobrança para uma nova edição do livro que busca trazer esclarecimentos no que se refere à história do cangaço na época de Virgulino Ferreira da Silva – O Lampião, exististindo a necessidade de se mostrar a verdade sobre o bandido diante das deturpações atuais que tentam transformar o bandido preocupado com o social, procurando tirar dos ricos para dar aos pobres, quando, na verdade, ele mantinha conluios com vários coroneis sertanejos.
Suas vítimas foram, principalmente, os humildes trabalhadores do campo – sertanejos como ele. No decorrer dos anos, a versão dos acontecimentos daquela época foram totalmente deturpados.
Tornou-se comum atualmente uma profusão de mitos e inverdades. Podemos afirmar, com certeza, que Virgulino Ferreira não foi obrigado a se tornar bandido pelas perseguições de um humilde e honestoe trabalhador sertanejo – José Saturnino, nem porque mataram o seu pai. O que aconteceu, na verdade é que Lampião então já era bandido e fazia parte do famoso grupo dos Porcinos de Alagoas e, inclusive, assaltava até própria polícia daquele estado arrebatando armas.
Lampião: herói ou bandido?
Não há como transformar em herói um homem que formou vários grupos em todos os sertões do Nordeste, que torturou, sequestrou, roubou, destruiu lares, queimou pessoas, animais e fazendas; estrupou, mutilou e matou tantas pessoas, enlutando e desfazendo centenas de lares na região, notadamente, na sua terra natal- o Vale do Pajeú, de onde saíram, em consequência, alguns dos seus mais bravos combatentes.
O rastro deixado pela passagem de Lampião e seu bando nos sertões mostrava a realidade da violência e da degradação humana: disseminou o terror, corrompeu, marcou mulheres indefefesas com ferro incandescente como se fossem gado de sua propriedade particular, cerceou a liberdade de homens livres, simples trabalhadores sertanejos.
Foi, na realidade, o mais temível torturador, chocando a todos com os seus requintes de crueldade. Os casos mais escrabosos, acontecidos no sertão de Pernambuco, foram mantidos no silêncio dos sertanejos que se integraram às Forças Volantes, solidários com o sofrimento físico e moral das famílias ultrajadas, as quais lhe pediam a caridade do silêncio para não destruirem com a divulgação o que restava da dignidade de suas famílias. O problema constituído pelo cangaço, tornou-se tão sério e vergonhoso que outros numerosos jovens da região foram deixando as suas atividades para ingressarem nas Forças Volantes.
Atualizada e aumentada
A edição contém quase 700 páginas e mais de 100 fotos que registram um tempo da historia sertaneja. Inclui, inclusive importantes entrevistas de remanescentes das histórias registradas no livro, como o Gen. Liberato de Carvalho, que foi comandante geral das Forças Volantes na Bahia e que não concedia entrevistas a jornalistas ou escritores que poderiam ” deturpar suas palavras”.
Mas o livro é essencialmente baseado nas memórias do Cel. PM. Manoel de Souza Ferraz (conhecido como Manoel Flor) um digno filho da região do Pajeú, conhecedor profundo de sua terra e sua gente e que participou da história narrada – do prólogo ao epílogo. A edição é da Comunigraf.
A autora Marilourdes Ferraz é jornalista, professora e pesquisadora. É membro da Academia de Artes e Letras de Pernambuco e tem cerca de 40 trabalhos publicados. É filha de Manoel de Souza Ferraz, hoje patrono do 14o. Batalhão da PMPE, localizado em Serra Talhada.
Fonte: Blog de Jamildo (www.blogdejamildo.com.br)
A morte de Virgulino fez surgir o mito do Rei do Cangaco e passadas sete decadas uma polemica resiste ao tempo afinal Lampiao foi um bandido sanguinario ou um justiceiro injusticado? Dizem que ele nao era heroi nem bandido mas um justiceiro injusticado.
CONCORDO COM A ESCRITORA, LAMPIAO ERA UM BANDIDO DA PIOR QUALIDADE MATAVA AS PESSOAS SEM MOTIVO ALGUM TORTURAVA ROUBAVA PESSOAS POBRES SEM A MENOR CHANCE DE DEFESA NAO SEI DE ONDE TIRARAM ISSO QUE ELE ERA HEROI SO SE FOR DA BANDIDAGEM.
Parece ser interessante o livro, mas com todo respeito, não deixa de ser estranho a fonte das informações.
Vejamos.
A intenção do livro é desmistificar o mito de um herói que na verdade é bandido. Certo, Lampião não devia ser flor que se cheire mesmo. Mas o maior inimigo de Lampião era a polícia. E quem é a autora do livro que desmistifica o herói? A filha de um policial, inimigo de Lampião.
Ou seja, a intenção parece ser destruir o falso mito, o Bandido-Herói, e criar um outro, esse sim, “um digno filho da região do Pajeú”, o Cel. PM. Manoel Flor, pai da escritora.
Não li o livro, nem deveria fazer um juízo desse tipo, mas acho que é pertinente a observação. Abraço!
O maior bandido que já apareçeu no sertão junto com Padre cicero era uma quadrilha dois bandidos da marca maior.
Tem como me informar se tem esse livro para vender aqui em Sao Paulo? se tiver qual livraria posso encontralo
Bandido, é bandido, e Lampião foi um dos piores da época, ja pensou se daqui a 50 anos nossos netos ouvirem falar de um tal Fernandinho Beiramar como mito, ou mesmo herói?.
Tem grupos aí no sertão que mascaram a história deste bandido sanguinário, e chegam ao ponto de montar programa de revitalização cultural/turística revivendo e refazendo a Rota do Cangaço, or tenha dó, porque não cuidam, retratam dos trabalhadores simples e honestos que acordam ainda escuro para irem labutar com seus bichos e roças, tantas coisas boas para serem enaltecidas, poesia, música, culinária, corajem do sertanejo, cultura, etc e tem gente se preocupando em refazer a Rota do Cangaço, deixem que as escolas expliquem quem foi esse cmarada, e quem tiver dúvida, que vá atrás, pesquise se informe, não mascarem a história desse bandido, se não a juventude local que ja é esmagada pelos maus exemplos que diariamente entram em suas casas através dos plim plins das emissoras, também sofreram esa lavagem cerebral de quem devia cuidar de seu povo…
Abraços a todo esse povo sofrido, querido e guerreiro do sertão.
Edílio Andrade… muito bonita sua exaltação do povo sertanejo, que também exalto, mas não é pertinente a sua crítica sobre a exploração turística da Rota do Cangaçao.
Deve-se explorar sim o turismo do cangaço na região. Seria tolice não fazê-lo. É um fato histórico e curioso, e faz parte da história do Sertão, quer queira, quer não.
Até os alemães organizam visitas aos campos de concentração, mesmo tendo sido o nazismo uma das maiores aberrações da humanidade. A história não pode ser esquecida…
Abraço, amigo!
se ele fosse vivo ninguem teria coragem de chama de bandido, seria o coronel lampião.
Sinceramente, vejo apenas como mera especulação semântica definir se Lampião era herói ou bandido. A cultura do Cangaço é muito maior que isso. Lampião foi um produto do meio em que vivia (coronelismo). Além do mais, o jornalismo sério atém-se a ouvir as duas (ou mais) partes envolvidas na história. Recomendo a coleção “Lampião, seu tempo e seu reinado” de Frederico Bezerra Maciel, um livro oriundo de pesquisas feitas durante mais de 30 anos sobre o cangaço.
A historia tem que ser lembrada sim, porem que lembrem dele como bandido mesmo, esse camarada era o Fernandinho beira mar da epoca, e nao tem essa de que roubava dos ricos para dar aos pobres, roubava porque nao prestava mesmo. E tinha a policia como maior inimigo porque bandido nao gosta de policia mesmo. E fosse vivo deveria estar em uma prisão de segurança maxima.
SANDRO E MESMA COISA QUEM TEM CORAGEM DE CHAMAR FERNANDINHO BEIRA MAR DE BANDIDO NA FRENTE DELE TODOS OS BANDIDOS SAO TEMIDOS INCLUSIVE LAMPIAO.
Gostei Clécio, mas o reconhecimento da grandeza do cangaço não tira de ninguém a possibilidade de emitir juízo de valor (axiológico, e não meramente semântico) sobre o grande personagem dele. Estupros, saques, assaltos, se devidamente comprovados historicamente, pra mim elimina a tese de “vítima do coronelismo”. Se fosse na Rússia pré-revolucionário, seria “vítima do czarismo”, se fosse na Europa medieva, “vítima do feudalismo”, na América Latina atual, “vítima do neoliberalismo”?
Se comprovada todas as passagens infames do rapaz, Lampião seria pra mim, não somente, mas principalmente, bandido, com todos seus requintes de “mau-caratismo” e com todos os valores negativos que a isso se soma.
Sem deixar de exaltar o cangaço como importante fato histórico, claro…
Abraço, Cleção!
Um bandidão chefe de quadrilha não passa disso…
E muito fácil falar de alguém baseado em boatos historia e mitos, queria ver se o autor teria a mesma coragem de escrever sobre os verdadeiros bandidos ladrões saqueadores dos tempos modernos, os políticos que desviam superfaturam afanou e tiram verdadeiramente o pão e as oportunidades do povo sertanejo, fica ai o desafio ao autor fazer um livro sobre o assunto acima citado,garanto que fatos para isso e o que não falta.
Dá-lhe, Gouveia. Boa definição, a melhor, aliás. Fica essa sugestão. Quem sabe o autor desse livro repense e faça outro nos tempos da nossa política atual