
“Na condição de educador e, acima de tudo, cidadão brasileiro, cumprimento o leitor e chamo a sua atenção para alguns dos muitos fatos estranhos surgiram na pacata cidade interiorana, bem como, de público, apresentar meu repúdio e protesto sobre os abusos, escândalos e arrogância policial que aconteceram no pleito do dia 05 de outubro na cidade de Tabira, interior do estado.
Nenhuma pessoa sentiu-se tão envergonhada numa festa que devia ter sido democrática como eu me senti naquele dia. Creio que além de mim, centenas de cidadãos e cidadãs desse município, e por que não dizer de toda a região, ficaram chocadas com o que foi presenciado.
A perseguição aos eleitores de um grupo político. A vergonhosa e absurda compra de votos, a céu aberto, onde o eleitor determinava o valor para votar em tal candidato ou não ir votar, fato esse que caracterizou a maior abstenção da história do município, quase 20%. O envolvimento do policiamento na agressão e prisão de simples pessoas, as quais foram impedidas de conversar com conhecidos, partidários ou até mesmos parentes, o que normalmente acontece em dias de votação. Foi até proibido pessoas se agruparem pelas ruas, calçadas, lanchonetes ou embaixo de árvores para se protegerem do forte sol. Vários soldados em viaturas, com armas pesadas apontadas para o povo, gritando, empurrando e ameaçando. (para piorar a situação, sem motivo nenhum, jogaram Spray de pimenta no rosto de gente idosa, jovens e até menores) tratando os eleitores e demais pessoas, como se fossem bandidos. Já pensou o exemplo, respeito, confiança e educação demonstrados?
O mais revoltante é que quem paga é o próprio povo. Só Deus sabe o preço!
É importante frisar que dezenas de tabirenses, sem justa causa, foram detidas, para desespero e revolta de milhares de pessoas.
O mais intrigante é o fato de tudo isso ter acontecido na festa que expressa à manifestação do povo: a liberdade de votar, escolher seu representante.
A democracia garante ou não o direito do indivíduo expressar-se livremente? Eleição é ou não é uma festa popular?
Gostaria da explicação do motivo de tudo ter sido proibido à coligação “Com União o Trabalho Continua” do atual prefeito e candidato, inclusive a distribuição de adesivos, os quais foram apreendidos pela polícia, alguns antes mesmos de começar a votação. Às outras coligações tudo podia e nada aconteceu.
Será que isso foi mera coincidência ou foi planejamento estratégico?
Em nome de todos os tabirenses conscientes do problema manifesto meus pesares a atitude da justiça, no que diz respeito aos integrantes nesse município, pela covardia, mediocridade e rebeldia com àqueles que por lei deviam ser protegidos e, no entanto acabou causando medo, espanto e terror aos moradores da hospitaleira e querida cidade de Tabira.
Minha indignação é também a indignação de milhares de sertanejos pajeuzeiros que ficaram e ainda estão perplexos com o que aqui ocorreu. A impressão que tive naquele dia foi de que estava num campo de batalha, uma verdadeira e estúpida guerra de forças. De um lado os homens simples e de bem, enquanto do outro…
Diante de tudo isso que, lamentavelmente presenciei, deixo algumas perguntas: Será que vale a pena acreditar na Justiça? Ou vamos ter que engolir esses absurdos? A Justiça vai acatar essa injustiça? E a lavagem de dinheiro podre na compra de voto? Por que o policiamento estava tão agressivo, nervoso, estúpido?
Afinal, onde está a Justiça? Está no interesse dos bandidos candidatos sujos ou está na proteção às pessoas de paz?
Tenho a plena convicção de que aqui caberia uma profunda investigação. A não ser que isso fique impune para total desmoralização e descrença da falida justiça?
Sou sensível à beleza das coisas, sou poeta.É uma pena ter sido levantada a bandeira da imoralidade no meu município. Ninguém merece tal praga!
Apesar de tudo, como ainda existe Homens sérios, ainda acredito, muito pouco, no Poder Judiciário brasileiro. Espero para ver no que isso vai dar.”
Por Adeval Soares Nascimento – Gestor Escolar (Escola Arnaldo Alves) e Poeta