Seis novos Patrimônios Vivos de Pernambuco são anunciados

Folha de Pernambuco

Aos 12 anos de idade, José Lopes da Silva mudou de lado nos teatros de mamulengo de Glória de Goitá, onde nasceu. Fascinado pelo universo dos bonecos desde a infância, o artista deixou de ser apenas espectador e foi para trás das cortinas, pois já havia passado a criar os seus próprios personagens desde os 10 anos de idade. Dois anos depois, já tinha feito 120 bonecos para o seu primeiro mamulengo, intitulado de “São José, o riso da cidade e o mundo encantado” que, por conta de uma falha de português de criança, foi grafado como o “mundo encantando”.

“Eu fiz foi por amor mesmo. Tenho muitos anos de mamulengo, mas estou ficando velho e o meu maior medo era não conseguir repassar esse conhecimento”, explica ele, aos 66 anos, que agora respira aliviado como um dos Patrimônios Vivos do Estado.

A eleição do mestre ao título foi anunciada nesta quinta-feira (15), juntamente com a Banda 15 de Novembro, de Gravatá; o rendeiro Mestre João Espíndola, de Pesqueira; o poeta Dedé Monteiro, de Tabira; o Clube Carnavalesco Mixto Seu Malaquias e o cantor Claudionor Germano, esses dois últimos do Recife. Os seis foram escolhidos dentre 68 candidatos. E se juntam aos 39 nomes que já tinham sido contemplados.

“Para mim, o mais importante de ter esse reconhecimento não é ter o dinheiro, mas ter condições de poder dar oficinas e repassar o que eu sei”, explica Zé, que é o primeiro mamulengueiro a receber o título. Tombado como Patrimônio Imaterial do Brasil pelo Iphan no ano passado, o mamulengo vem despertando interesse de novos artistas, mas segundo Zé Lopes, que já se apresentou na Europa e no Brasil inteiro com o mamulengo “Teatro do Riso”, é preciso saber fazer. “O mamulengo estava se acabando, mas agora começou uma enchente de gente querendo fazer boneco, mas inventando coisa que não tem nada a ver com a história. Para mim isso é um grande espetáculo, é mágica, não é só botar boneco”, defende ele a tradição.

Maior intérprete da obra de Capiba, Claudionor Germano também promete usar o título para promover o frevo. “É uma honra grande ser merecedor disso, um reconhecimento ao trabalho que executei durante 70 anos. O que está faltando agora é consolidar o frevo e divulgar novos compositores, porque tem muita gente boa”, opinou ele. Atualmente com 84 anos, planeja fazer seu último Carnaval no ano que vem. “Ariano Suassuna dizia que quando eu fosse me aposentar não deveria dizer a ninguém, porque Luiz Gonzaga anunciou a aposentadoria 10 vezes”, brinca ele, que desde 2015 ensaia a saída dos palcos, mas ainda não conseguiu largar o microfone. Para 2017, ainda está planejado o lançamento da sua biografia pela editora Cepe, com autoria do jornalista José Telles.

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