Saiba quanto você vai pagar na conta de água em Pernambuco após novo aumento

O JC preparou uma tabela com os valores atuais praticados pela Compesa e com aqueles que passarão a ser cobrados a partir de 19 de agosto de 2021

Agência de Regulação de Pernambuco (Arpe) a cobrar 11,9% mais caro pelos seus serviços, chegou a hora de fazer as contas para saber quanto os consumidores pagarão após o novo reajuste aprovado nessa segunda-feira (19) e publicado no no Diário Oficial do Estado nesta terça-feira (20).

De acordo com a Arpe, o novo reajuste nas contas de água dos pernambucanos – o segundo só em 2021 – tem como objetivo “compensar os efeitos da inflação de 1º de julho de 2020 a 30 de junho de 2021”.

Para ajudar nos cálculos, o JC preparou uma tabela com os valores atuais praticados pela Compesa e com aqueles que passarão a ser cobrados a partir de 19 de agosto de 2021.

Veja quanto você vai pagar

TARIFAS POR CLIENTES QUE CONSOMEM ATÉ 10 MIL LITROS POR MÊS

  TARIFA ATÉ AGOSTO/2021 TARIFA A PARTIR DE AGOSTO/2021 ACRÉSCIMO
CONVENCIONAIS R$ 45,13 R$ 50,50 + R$ 5,37
TARIFA SOCIAL R$ 9,44 R$ 10,56 + R$ 1,12
COMERCIAIS R$ 66,40 R$ 74,30 + R$ 7,90
INDUSTRIAIS R$ 83,20 R$ 93,10 + 9,90
PÚBLICOS R$ 64,17 R$ 71,80 + 7,63

Primeiro aumento

Em janeiro deste ano, a população do Estado passou a pagar 2,4% a mais na conta de água, em relação a 2020

Em janeiro deste ano, a população do Estado passou a pagar 2,4% a mais na conta de água, em relação a 2020. A Compesa justificou a medida na recomposição da perda inflacionária correspondente ao período de julho de 2019 a junho de 2020. Segundo a estatal, o aumento deveria ter sido feito no mês de agosto, mas, por causa da pandemia provocada pelo novo coronavírus, foi adiado para 2021.

À época, a companhia explicou que, embora a pandemia não tenha acabado, estava “em conformidade com a Lei Federal 11.445/2007, que estabelece que os reajustes de tarifas de serviços públicos de saneamento básico sejam realizados no intervalo mínimo de 12 meses, de acordo com a variação da inflação”. O último reajuste aplicado pela Compesa, antes de 2021, foi em 12 de agosto de 2019, quando, a tarifa de água subiu 6,72% para todas as categorias de clientes.

Duas tarifas de água em Pernambuco

Mesmo em busca de alternativas para ampliar os investimentos, a Compesa não pretende abrir o capital a novos investidores. A mudança de posicionamento em relação ao que vinha se projetando em 2019 foi confirmada no final de junho pela presidente da Compesa, Manuela Marinho, durante audiência pública na Assembleia Legislativa do Estado. A audiência debateu o Projeto de Lei Complementar 2391/2021, que institui os blocos regionais, que poderão receber aportes privados, para universalizar o saneamento básico até 2033, em cumprimento ao Marco Regulatório do Saneamento.

O texto, enviado à Alepe pelo governo do Estado, prevê a ampliação da autorização de capital social da Compesa para até R$ 10 bilhões. O motivo, segundo a companhia, é que o capital social não era atualizado dede a fundação da estatal, facilitando a capitalização de recursos.

“O capital autorizado precisa ser maior do que o patrimônio líquido, para que ano a ano haja margem para aumentar o patrimônio líquido, conforme a gama de investimentos – uma demanda de R$ 20 bilhões. Estamos buscando formas de se criar e aumentar o patrimônio líquido (R$ 6 bilhões) para atingir o capital autorizado”, afirmou Manuela ao ser questionada na audiência.

Outra mudança pretendida é a autorização para a Compesa criar subsidiárias e participar do bloco de controle ou do capital de outras empresas.

“De que forma vai ser feita a captação, estamos estudando para apresentar à agência reguladora, e também já estamos buscando. Se vai ser via governo do Estado ou outras formas de empréstimos, será definido. A Compesa já captou R$ 100 milhões este ano. O atual governo não tem pretensão e ideia de abrir o capital”, garantiu.

Blocos

As medidas foram enviados junto com o texto que busca instituir novos blocos regionais no Estado para disputar investimentos privados. Em 2020, um projeto de lei instituindo 11 microrregiões já fora apresentado. Pelo novo texto, o Estado deverá ser divido em apenas dois blocos: Microrregião da RMR-Pajeú e a Microrregião do Sertão. Com os dois blocos, o Estado pode vir a ter duas tarifas diferentes, conforme a demanda de cada microrregião.

“O projeto de lei que instituiu as 11 regiões, em setembro do ano passado, era voltado à infraestrutura física. Estamos agora apresentando duas microrregiões, falando de economia, estudo de viabilidade, e isso interfere na possibilidade do sistema ser superavitário”, disse a secretária de Infraestrutura de Pernambuco, Fernandha Batista.

De acordo com ela, para a composição dos dois blocos foram levadas em conta “Queremos universalizar no menor prazo, com a menor tarifa possível para todos, evitando que os mais ricos (municípios) se afastem do sistema e deixem os mais pobres sem os serviços ou sendo bancados unicamente pelo Estado”, salientou.

Para manter a atração do capital privado e, ao mesmo tempo, o propósito do subsídio cruzado, o projeto precisa ser aprovado, defende Fernandha. Caso contrário, a iniciativa privada “só entrará onde der retorno”. Em Pernambuco, isso representaria menos de 20%. As mudanças devem ser aprovadas até 15 de julho. Após, fica a cargo do governo federal.

Compõe a microrregião da RMR-Pajeú: Abreu e Lima, Afogados da Ingazeira, Agrestina, Água Preta, Águas Belas, Alagoinha, Aliança, Altinho, Amaraji, Angelim, Araçoiaba, Arcoverde, Barra de Guabiraba, Barreiros, Belém de Maria, Belém de São Francisco, Belo Jardim, Betânia, Bezerros, Bom Conselho, Bom Jardim, Bonito, Brejão, Brejinho, Brejo da Madre de Deus, Buenos Aires, Buíque, Cabo de Santo Agostinho, Cachoeirinha, Caetés, Calçado, Calumbi, Camaragibe, Camocim de São Félix, Camutanga, Canhotinho, Capoeiras, Carnaíba, Carnaubeira da Penha, Carpina, Caruaru, Casinhas, Catende, Chã de Alegria, Chã Grande, Condado, Correntes, Cortês, Cumaru, Cupira, Custódia, Escada, Feira Nova, Fernando de Noronha, Ferreiros, Flores, Floresta, Frei Miguelinho, Gameleira, Garanhuns, Glória do Goitá, Goiana, Gravatá, Iati, Ibimirim, Ibirajuba, Igarassu, Iguaracy, Inajá, Ingazeira, Ipojuca, Itacuruba, Itaíba, Itamaracá, Itambé, Itapetim, Itapissuma, Itaquitinga, Jaboatão dos Guararapes, Jaqueira, Jataúba, Jatobá, João Alfredo, Joaquim Nabuco, Jucati, Jupi, Jurema, Lagoa de Itaenga, Lagoa do Carro, Lagoa do Ouro, Lagoa dos Gatos, Lajedo, Limoeiro, Macaparana, Machados, Manari, Maraial, Mirandiba, Moreno, Nazaré da Mata, Olinda, Orobó, Palmares, Palmeirina, Panelas, Paranatama, Passira, Paudalho, Paulista, Pedra, Pesqueira, Petrolândia, Poção, Pombos, Primavera, Quipapá, Quixaba, Recife, Riacho das Almas, Ribeirão, Rio Formoso, Sairé, Salgadinho, Saloá, Sanharó, Santa Cruz da Baixa Verde, Santa Cruz do Capibaribe, Santa Maria do Cambucá, Santa Terezinha, São Benedito do Sul, São Bento do Una, São Caitano, São João, São Joaquim do Monte, São José da Coroa Grande, São José do Egito, São Lourenço da Mata, São Vicente Ferrer, Serra Talhada, Sertânia, Sirinhaém, Solidão, Surubim, Tabira, Tacaimbó, Tacaratu, Tamandaré, Taquaritinga do Norte, Venturosa, Vertente do Lério, Vertentes, Vicência, Vitória de Santo Antão, Xexéu.

Já a microrregião do Sertão agrupa Afrânio, Araripina, Bodocó, Cabrobó, Cedro, Dormentes, Exu, Granito, Ipubi, Lagoa Grande, Moreilândia, Orocó, Ouricuri, Parnamirim, Petrolina, Salgueiro, Santa Cruz, Santa Filomena, Santa Maria da Boa Vista, São José do Belmonte, Serrita, Terra Nova, Trindade, Verdejante.

Fonte: JC

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