Presidente do sindicato entra na era digital

“Tenho 55 anos e ainda quero aprender”

Com essas palavras o agricultor Djalma Nogueira (foto), presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Tabira, no sertão pernambucano, inaugurou o primeiro Telecentro de Inclusão Digital voltado especificamente para trabalhadores rurais.

Djalma Nogueira: “tecnologia também para nós”

“Esse Telecentro vai servir para os jovens e para nós, de uma geração mais velha, que também precisamos saber de tecnologia”, complementou o entusiasmado Nogueira. Tabira possui 25 mil habitantes e está localizada no Sertão do Alto Pajeú, distante 405 km do Recife. Para os mais abastados, há seis lan houses, velox e provedor de internet, mas, até o momento, nenhum projeto de inclusão social através da inclusão digital. “O Serpro vem preencher essa lacuna. Através dos equipamentos doados para o telecentro cumprimos parte do nosso papel de garantir a igualdade no acesso às tecnologias da informação e comunicação”, afirmou Severino Xavier, coordenador do programa de inclusão digital do Serpro na Regional Recife.

De acordo com Xavier, o Serpro já doou oito telecentros e ainda há equipamentos para montagem de mais 30. “Depende principalmente das instituições. Nós temos o programa e os equipamentos e o know-how, as instituições devem ter infra-estrutura e projeto viável de funcionamento”, complementa ele.

Educação e cidadania

O Telecentro de Inclusão Digital Rural em Tabira funcionará inclusive à noite, para atingir o jovem estudante da zona rural. A princípio, a instrução básica em informática ficará sob a responsabilidade de tutores voluntários, como a agricultora e vice-presidente do Sindicato de Tabira, Sione Santos, que também está responsável pelas matrículas. De acordo com ela, já tem mais jovens interessados nos cursos que a capacidade física do espaço. “São muitos estudantes da zona rural que querem aprender informática”, diz ela. Quando perguntamos o porque, a resposta básica: para se informar e pesquisar.

É o caso de Alba Lúcia, 23 anos, moradora do Sítio Serrinha: “foi a primeira vez que peguei num computador e tenho muita curiosidade, quero pesquisar sobre plantação, semente, adubar a terra e muitas outras coisas”, diz ela. Já para o jovem agricultor Uelton Bezerra, 18 anos, morador do Sítio Cachoeira Grande, a informática tem outro objetivo: “quero aprender para ter outra opção de trabalho além do campo”, afirma ele. Quem também tem outro objetivo é Mikaeli dos Santos. Ela tem 17 anos mora no Sítio Cachoeira Grande e a teia de relacionamentos está em primeiro plano: “com a internet vou poder navegar no orkut”.

Com tantos interesses distintos, o Telecentro de Inclusão Digital Rural de Tabira cumpre mais um de seus objetivos: poder espelhar a cultura local no mundo tecnológico, unindo pensamentos e ideologias das pessoas, seja com sete, 17 ou 57 anos de idade, pois sempre é tempo de aprender. Na inauguração desse telecentro, a lição do professor Adeval Soares, presente na solenidade e representando as escolas municipais, deve estar na ponta da língua: “muitos tem medo mas a tecnologia não assombra. Ela aproxima e encurta as distâncias”.

O espaço

Este é o primeiro telecentro do estado localizado num sindicato de trabalhadores rurais. São 11 micros conectados em rede e com acesso à internet. Todos rodam sistema operacional linux e aplicativos em código aberto – o chamado software livre. Sua implantação deu-se graças à parceria do Governo Federal, através do Serpro – Serviço Federal de Processamento de Dados, Fetape – Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de Pernambuco e Prefeitura Municipal de Tabira.

Fonte: Site do Serpro.

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  1. Olha ai uma coisa digna de elogios! Parabéns pela atitude positiva, quem sabe possa servir de exemplo para uns e outros que se ufanam da propria ignorância e veem quem estuda com antipatia.

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