O mal que Dinca faz a Tabira

Por Nill Júnior

Essa foi mais uma semana de notícias lamentáveis e que envergonham o tabirense que ama sua terra. Tabira não merecia tamanha exposição negativa. Mas teve.

O noticiário explica a política na Cidade das Tradições,  que há pouco mais de um ano convive com uma gestão que tem rosto, perfil e modus operandi bem conhecidos: é de Dinca Brandino o rótulo que estampa a gestão.

Ele não esta lá por acaso. Primeiro,  é impossível ignorar que tem alguma liderança,  principalmente nas classes mais populares e naquelas menos esclarecidas. Consegue circular melhor nesse perfil de público.  Foi essa condição,  somada aos erros do ciclo Sebastião Dias, muitos aqui mesmo apontados, que fizeram com que ele conseguisse eleger a própria esposa, Nicinha Melo prefeita. Muitos não votaram em Flávio Marques por vingança a Dias e grupo.

Nicinha é uma mulher honrada, que como tantas abriu mão da própria vida pessoal para viver a vida do marido, esse atolado em polêmicas,  condenado por colegiado, sem poder ser candidato,  e toda sorte de questionamentos.  Nicinha aceitou se submeter a uma candidatura imposta por Dinca, mesmo passando por constrangimentos em virtude do seu perfil.  Com extrema dificuldade de falar em público ou em emissoras,  já que se colocou na posição de quem fica nos bastidores,  até tentou, mas não conseguiu verbalizar nada em campanha, a ponto de ter sido extremamente criticada e até ironizada pelos governistas. Nicinha também foi vítima do machismo estrutural. Por vontade própria,  jamais entraria nessa disputa. O fez pela imposição e impedimento do marido.

Como era de se esperar,  a cada dia há mais evidências de que é Dinca e não ela a gerir o governo. São vários exemplos.  Na escolha da Mesa Diretora, fez a articulação para dar a seu grupo a presidência da Câmara.  Chegou a fazer uma live para “amarrar” o voto de Dicinha do Calçamento.  Dicinha pulou de novo, ele perdeu e as imagens do casal constrangido na eleição de Djalma das Almofadas tomou a internet.

É de domínio público que vive na prefeitura, dá as ordens e não se contenta com a função de conselheiro que ele tenta passar. Não precisa ser especialista. É Dinca que manda. Isso atrapalha até quem tenta fazer o melhor. Gleison Rodrigues, um dos mais fiéis a Dinca, a ponto de ser ridicularizado nas redes, hoje Secretário de Finanças,  função que de fato tinha que estar com um bate esteira de Dinca por razões óbvias, lançou um bom programa de combate à inadimplência e arrecadação, por exemplo.  Mas com essa politização da gestão escancarada por Dinca, parte da sociedade se afasta e a adesão não corresponde.

Onde pode, Dinca se enfia no lugar da esposa pra deixar claro que ele é quem manda. Em lives sempre sem nenhum questionamento de quem conduz, nos atos de gestão ou nas principais decisões,  é Dinca que aparece.

Recentemente,  ocupou rede social para, em um nível deplorável,  atacar o radialista Júnior Alves.  Não satisfeito, sem nenhuma função institucional na gestão,  foi ao programa da prefeitura agredir verbalmente Djalma das Almofadas,  Socorro Veras, Fabrício Ferreira e, de novo, Júnior Alves.

Essa semana,  mais uma vez Tabira nas manchetes.  Primeiro,  pela mudança de lugar da Feira do Troca para o Espírito Santo. Sem nenhuma discussão ampla com os interessados,  a mudança foi rejeitada. Por conta própria,  os feirantes voltaram ao local de origem.  Prometem não sair. Um desgaste sem tamanho.

A última e ainda mais degradante,  a Fake News que anunciava a saída do SAMU, que já seria trágica pelas vidas que deixariam de ser salvas.  Foi humilhante ver o Cimpajeú desmentindo a prefeitura e revelando o real motivo, inadimplência.  Já seria anunciada a expulsão e a prefeitura tentou evitar o desgaste. Ficou pior. Saiu devendo e mentindo. A ponto de o presidente do Cimpajeú,  Luciano Torres, ir à imprensa expor a tramóia. A população viu Tabira perder o serviço para Solidão.

O exemplo também evidencia o que se ouve na Rádio Corredor. Dinca não tem nenhuma empatia dos demais gestores na região,  justamente pela forma deseducada como quer impor sua vontade e por situações como essas. E Nicinha, como já se esperava, raramente aparece.  A gestão de Tabira virou uma ilha rodeada por prefeitos que não buscam dialogar com ela por todos os lados. E é a dupla que dá causa, e não o contrário.

Assim como Tabira não merecia os desmantelos gerenciais de Sebastião Dias,  um ser humano e artista inatacável,  mas um gestor que não teve comando e organização,  sendo parte da culpa do que ocorre hoje, não merece algo pior, com Dinca, sua verborragia, arrogância e gestão carimbada com um ficha suja,  bem como Nicinha, no lugar errado, na posição errada, pela escolha de atender as definições do marido até se sujeitar a uma função que não escolheu.

Pior é que isso aconteça nas barbas do Ministério Público, dos vereadores e da sociedade. A prática, de ocupar espaços que cabem à esposa prefeita, é absurdamente ilegal. Em 2018,  a então prefeita de São Lourenço, no Sul de Minas, Célia Cavalcanti (PR), perdeu o mandato porque deixou seu marido – o ex-prefeito da cidade, Natalício Tenório Cavalcanti (PR) – tomar decisões no governo em seu lugar. Isso sem falar nos casos em que ex-prefeitos impedidos jogaram pra vala da justiça as próprias esposas. Que não cheguemos a isso. Nicinha, mesmo que tenha se submetido, não merece isso.

Aliás,  pra fechar, no fundo é a Cidade das Tradições,  de Dedé Monteiro, Paulo Matricó, de uma história construída por Gonçalo Gomes, Pedro Pires e tanta gente honrada, que não merece passar por isso a tanto tempo. Que Deus, o tempo e o povo entreguem a Tabira o que ela merece por direito.

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