Na "Terra das Tradições" um carnaval sem tradição

Máscara            Pernambuco tem de destacado no cenário nacional, por ser um dos estados de maior representatividade cultural do país. Frevo, Ciranda, Côco de Roda, Baião, Caboclinhos, Maracatus; são algumas das diversas manifestações folclóricas que fazem do nosso estado um celeiro multicultural. Além de diversos artistas que representam a nossa arte e as nossas raízes.

            O carnaval pernambucano é considerado a maior manifestação popular do mundo, pois é realizado gratuitamente sem cordões que isolam ou ingressos para ser visto. A explosão da folia é descentralizada da capital e atinge as menores cidades.

            Mas infelizmente, dentro do nosso território estamos perdendo espaço para outras “culturas”. A musica baiana (que eu não tenho nada contra) tem se firmado de forma contundente, com sua apelação, tomando o lugar do que verdadeiramente podemos chamar de nosso, os ritmos e os batuques que sustentam a cultura de Pernambuco.

            Nas cidades do interior a baianização é total. Mais de 90% dos municípios que realizam os festejos de momo, têm nas suas programações conjuntos musicais da Bahia, ou bandas que executam a swingueira que é  ritmo do momento. Sem falar nas bandas de forró, que para não perder dinheiro aderiram à moda carnaval “eletrizando” suas musicas e adequando-as ao período momesco.

            A cidade de Tabira já foi palco dos melhores carnavais da região, se não do Estado. O Grêmio Lítero Social Tabirense, templo de memoráveis festas, enchia-se de confeti, serpentina, palhaços, pierrots e colombinas; sinônimo de uma época em que carnaval era comemorado ao som de marchinhas e frevo canção.

            Ao longo dos anos e com o surgimento de novos ritmos, fomos invadidos e as nossas raízes ficando no ostracismo. A juventude da atualidade aderiu ao modo baiano de brincar o carnaval, com letras apelativas e coreografias sexistas; além do caráter comercial em que se tornou a maior festa popular do planeta.

            Há muito tempo não se vê um carnaval cultural na cidade de Tabira, esse problema independe de gestor ou de quem o organiza, mas da população, na maioria os jovens, que exigem uma programação que atinja seus gostos.

            O Ex-Secretário de Cultura, Tote Marques, com seu aguçado gosto pela cultura pernambucana, na tentativa de modificar a programação do carnaval de Tabira, foi retaliado pelos foliões que reclamaram das atrações por não executarem as musicas de swingueira.

            Este ano, a Diretora de Planejamento da Prefeitura Municipal, Jeane Costa, organizou o Baile Intermunicipal, trazendo de volta um carnaval como antigamente. Fantasias e boa música, encheu de saudades muitos foliões que viveram a “belle époque” do carnaval tabirense. Porém, o baile foi pouco prestigiado e criticado pela juventude por “não ter musica que presta”.  

            Em mais uma edição do Carnaval da Terra das Tradições, não conseguimos enxergar as verdadeiras tradições que estão na cultura e nos ritmos de Pernambuco. O estado da Bahia que não executa um frevo ou caboclinho nas suas festas, em Tabira e demais cidades do interior, terá uma grande representação na nossa manifestação carnavalesca.

            Guardiões da folia, os Cavalheiros da Rosa Mística ainda resiste ao tempo e nos presenteia toda segunda-feira de carnaval com o seu belo desfile, regado a muito frevo trazendo o saudosismo dos carnavais de outrora, presenteando os foliões de verdade com um pouquinho da tradição que nos resta.

Artigo publicado pelo Jornalista

José Ivan Dias

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  1. TRADIÇAO DE QUE MEU QUERIDO SO SE FOR NA RUINDADE DOS NOSSOS POLITICOS TODOS NAO ESCAPA UM PRA FAZER UM CHA TEMOS 2 PARTIDOS QUANDO UM TA COMENDO O OUTRO TA CHORANDO SO ISSO O SUJO FALANDO DO MAL LAVADO

  2. Parabéns Zé Ivan pela matéria. Nas vezes que me pediram opinião sobre este assunto sempre disse o seguinte: é necessário ter swingueira, ter axé, ter forró elétrico no carnaval de Tabira? SIM. Isso atrai o pessoal das cidades circunvizinhas gerando renda para o comércio local. Mas será que não pode ter uma orquestra de frevo que nos intervalos das bandas passe pelo meio da multidão animando a galera? Será que não podemos ter shows de abertura ou encerramento com músicas da nossa cultura?
    Essa semana ouvindo uma emissora de rádio aqui de recife eu fiquei pasmo. “Participe da nossa promoção de carnaval… peça sua música na nossa rádio e concorra a uma viagem para passar o carnaval em Salvador com a Ivete Sangalo”. A Ivete que me perdoe, mas qual o bloco que a Ivete puxa que é mais bonito que o Galo da Madrugada? Por que esta rádio não sorteia um camarote do Galo ao invés de uma viagem pra Bahia. Tem camarote do Galo que custa R$ 300 ou mais. Apesar da reportagem focar um pouco no desprezo que Tabira tem dado à nossa cultura pernambucana esse descaso não está presente só em Tabira. Quem foi na Bahia e ouviu frevo ao invés de axé? Quem foi no Ceará e ouviu frevo ao invés de forró? Vamos acordar pessoal… valorizar o que é nosso!

  3. Parabéns pela postagem Ênio, concordo plenamente, e principalmente em relação às orquestras de frevo nos intervalos. O carnaval da Tabira é o maior e melhor da região, basta apenas que se valorize também e principalmente a cultura Pernambucana.
    Abraços.

  4. Vê-se que é um problema que não envolve apenas Tabira, como bem destaca o Jornalista José Ivan Dias no seu artigo. Porém, o que “incomoda” é esse “título” que Tabira ostenta de “Terra das Tradições”. Sinceramente, nunca vi nossos gestores, produtores e público prestigiarem de fato o que possa ser considerado “tradição” e sempre que houve alguma tentativa nesse sentido, principalmente no carnaval, aconteceram graves retaliações. Todas as cidades ostentam suas tradições. A impressão que se dá é que alguém, em momento oportuno, falou o termo “Tabira, terra das tradições” e esse termo pegou, mas, o prestígio as tradições culturais pernambucanas, por exemplo, apenas tem perdido espaço pro axé-bunda-music.

    Se existem culpados, esses são dois: o público e os gestores culturais. O público porque não percebe que é mero consumidor da indústria cultural, que vende mercadorias culturais (axé-bunda-music, forrós de plástico, etc) como pasta de dentes ou automóveis e repassa ao público esses “produtos” que os consome sem saber diferenciá-los (o que é cultura ou não é) ou sem questionar o seu conteúdo (se é bom ou se é ruim); E os gestores culturais porque muitas vezes são nomeados sem o mínimo de critério, não sabem o que é arte, não entendem cultura e não conseguem enxergar soluções pra esse problema que entra carnaval, sai carnaval, e não muda.

    Acredito que exista até uma explicação sociológica para o caso. Vivemos numa sociedade consumista, onde tudo se comercializa. Com a música não é diferente. O que toca hoje é o que faz sucesso no momento, e o que faz sucesso é esse tal de “swinguera” e o tal de “rebolation”. É quase como uma questão de aprovação social: ou você tolera e participa, passa por entre, enfim, acata, ou deve providenciar um fone de ouvido, sair com as orelhas tapadas ou simplesmente não sair, isolar-se do mundo.

    Nesse sentido, tentar cortar estas atrações baianas e, de uma hora pra outra, dar lugar as tradições pernambucanas, apesar da boa intenção, é um ato sociologicamente falho, isso por que é gerado um choque entre o gosto musical do público (que é muito limitado) e entre o que o povo realmente precisa pra uma formação cultural digna.

    A única solução que vejo seria a criação de 2 pólos no carnaval de Tabira. O Pólo principal, com grande estrutura, necessariamente, tocaria o som do momento. Permaneceria com essas atrações de axé-bunda-music e forrós elétricos sem conteúdo. Já o pólo secundário, com estrutura um pouco menor, seria “obrigatoriamente” destinado as tradições populares (frevo, maracatu, coco, ciranda e afins) e também para outros tipos de atrações como bandas de músicas alternativas. Isso não fragmentaria o público do carnaval logo por que, por exemplo, quem curte swinguera, não quer ver na sua noite, no seu palco a banda de Frevo de Zé de Virgínio, e quem curte Paulo Matricó não quer ver na sua noite, no seu palco, Marreta You Planeta.

    O grande exemplo que deixo é o Carnaval Multicultural do Recife, que é com certeza, o maior do mundo. Lá, você pode na mesma noite, se tiver disposição de consumir cultura, ver um show do Antônio Nóbrega cantando “Madeira que cupim não rói” e depois conferir um show da Nação Zumbi que mistura maracatu, hip hop, coco e rock.

    Isso, além de satisfazer gregos e troianos, abriria os olhos dos grandes financiadores culturais de Pernambuco (Chesf, Fundarpe, BNB, e afins) pela preocupação em fazer do Carnaval tabirense uma festa democrática e com teor multicultural.

    Conheço muitos artistas que topariam fazer suas apresentações abrindo mão de cachê, apenas com o transporte e alimentação. Como sugestões de atrações para o suposto “Pólo das Culturas”: Bandas de frevo, de pífano e grupos de dança de toda região; Edierck, Bia Marinho, PE87, No Clear, BKL, Dj’s, enfim… Nossa região é cheia de artistas. O público? Membros da APPTA, apoiadores da cultura, pessoas de outras cidades, igualmente saturadas de axé-bunda-music, etc… Lógico que pra um carnaval desses, o planejamento é essencial, pra não fazer como nesses últimos 5, 6 anos em que programação tem saído faltando apenas uma semana ou menos.

  5. as pessoas so sabem reclamar ,um carnaval tão lindo desses e o povo ainda reclama.só poque é adversário,mas parece que só foi vocês que não gostaram,pois a avenida ficou lotada ontem,e a ornamentação deu de dez a zero.a nossa tradição vai de vento em polpá.

  6. Dincão está promovendo um Carnaval maravilhoso e merecendo reeleição. Josete nunca fez um Carnaval tão bom ou melhor dizendo Josete nunca fez nada só desmanchou o que Dincão fez. Esse menino Clécio é um destrambelhado! Cadê o Tabira Rock? Se não soube manter o festivalzinho dele como quer falar do Carnaval de Tabira e de Dincão?

  7. Pinto, o Tabira Rock entrou na história de Tabira por trazer pela primeira vez um Macaratu Rural (Estrela Brilhante de Nazaré da Mata em 2004) e um Maracatu de Baque Virado (Nação Porto Rico de Recife em 2005) coisa que nunca aconteceu num carnaval em Tabira. E o Tabira Rock não parou não… logo, logo ele estará de volta na praça 😉

  8. Carnaval é carnaval e este prefeito e esta secretaria de cultura estam acabndo com ele. todos estao vendo como este ano foi fraco. TA IGUAL AO CLUB DE CAMPO JA ERRRRRRRRRRRA

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