MP denuncia incompetência policial

Os seqüestradores do empresário Mário Henrique Queiroz, filho do proprietário da rede de farmácias Pague Menos do Ceará, foram soltos por causa “do excesso de prazo para formação de culpa decorrente da incompetência policial”. A afirmação é da promotora de Justiça Marília Uchoa Gomes (foto), da 14ª Vara Criminal. Ela diz que o caso ainda está emperrado porque se fundamenta em “uma apuração policial malfeita no Ceará e em Pernambuco, em ilegalidades, espancamento de preso no Fórum Clóvis Beviláqua (CE), audiências que não aconteceram, inquéritos que não foram abertos, interceptação telefônicas não analisadas e a necessidade de aprofundamentos de novas investigações. Dos 16 nomes envolvidos, apenas sete estão identificados”.

Na última semana, parte da imprensa divulgou que a Justiça soltou “deliberadamente” sete acusados de seqüestrar o empresário cearense Mário Henrique Queiroz em agosto de 2006. “Divulgaram só uma versão dos fatos. Não sei qual o interesse. Passados quase dois anos do seqüestro, muita coisa não foi esclarecida e vários fatos estranhos aconteceram. Não por omissão do Ministério Público ou da Justiça. Tudo que estava dentro da legalidade foi pedido e determinado. A polícia cometeu absurdos que geraram, inclusive, pedidos de abertura de inquéritos e outros procedimentos”, diz.

Marília Uchoa explica, por exemplo, que o Poder Judiciário e a polícia dos estados apontados pelo superintendente da Polícia Civil no Ceará, Luiz Carlos Dantas, como sendo lugares de atuação criminosa dos seqüestradores responderam que nada havia contra o grupo acusado. Segundo a promotora, a maior surpresa estava reservada para as informações referentes a Cícero Cândido dos Santos – indicado por policiais como líder “psicopata” da quadrilha. O delegado Cláudio Castro, do Grupo de Operações Especiais de Pernambuco, investigava-o por um seqüestro ocorrido em Afogados da Ingazeira e Flores e terminou prendendo-o por envolvimento no caso do empresário cearense Mário Henrique Queiroz.

“Cícero Cândido foi levado para o Recife porque teria um mandado de prisão referente ao seqüestro em Afogados da Ingazeira. O que não é verdade e as certidões dos autos confirmam. A polícia de Pernambuco seqüestrou os seqüestradores. Cometeu uma ilegalidade. Lá não existe inquérito e nem processo”, diz. Procurado pelo jornal cearense O POVO, o delegado Luiz Carlos Dantas apresentou mandados de prisão preventiva contra Cícero Cândido, Almir Pereira de Lima, Cícero Manoel Taveira e José Vanderlei Martins. As ordens judiciais foram emitidas no dia 17 de agosto de 2006, doze dias após a prisão dos acusados em Fortaleza. “O caso é pior ainda. Por qual motivo essa documentação não foi anexada ao inquérito? Porque não está nos autos? Porque a Justiça e as autoridades policiais de Recife não remeteram esses mandados juntamente com as certidões que inocentavam os réus?”, questiona Marília Uchoa.

E MAIS

O seqüestro de Mário Queiroz aconteceu no dia 24 de julho a 4 de agosto de 2006. Foram presos: Cícero Cândido, José Vanderlei, Cícero Manoel Taveira, Marivânia Sousa (mulher de Cícero Cândido), José Manoel da Silva Filho, Flávio Kenard e Francisca Holandira.

Um outro acusado, conhecido apenas por “Negão”, apareceu como suposto líder da quadrilha. A Polícia, no entanto, segundo Marília Uchoa, não investigou sua participação. Ele estaria relacionado a processos que tramitam na 16ª e 17ª Vara Criminal.

Segundo a promotora Marília Uchoa, as primeiras quatro audiências foram prejudicadas por causa da ausência “não justificada” das testemunhas de acusação e da vítima – o empresário Mário Henrique. As testemunhas eram os delegado Luiz Carlos Dantas, o também delegado Cláudio Castro (carta precatória) e o “negociador” da família do seqüestrado. Até hoje, Cláudio Castro nunca prestou depoimento.

A promotora Marília Uchou solicitou ao O POVO cópias dos quatro mandados de prisão preventiva expedidos pela juiz Daniela Rocha Gomes. Ela respondia pela comarca de Afogados da Ingazeira. Neles, ela solicita a prisão de Cícero Cândido, Almir Pereira, Cícero Taveira e José Vanderlei.


Dra Marília Uchoa trabalhou em Afogados da Ingazeira

Fonte O POVO Fortaleza-CE

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