Meirelles defende limite de gasto público em eventual governo Temer

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O ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles, cotado para ministro da Fazenda, defendeu um limite para o gasto público. Meirelles falou já como ministro e mostrou a gravidade do aumento da dívida pública.

Dívida pública é um dos principais indicadores usados por agências de risco e pelo mercado financeiro para avaliar a situação econômica de um país e esse endividamento explosivo é um sintoma muito ruim. Henrique Meirelles é cotado para assumir o Ministério da Fazenda em um eventual governo Temer. Depois de se reunir com Michel Temer, Meirelles falou como articulador da política econômica.

Já era noite quando o ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, deixou a residência oficial da vice-presidência. Meirelles deve ser o ministro da Fazenda no possível governo Temer e fez na segunda-feira (2) um diagnóstico de que a situação da economia brasileira é muito difícil. Disse que há muito a fazer e que é preciso deixar isso claro para a população.

“A questão toda é o custo. O que será necessário ser feito para que de um lado a trajetória de crescimento da dívida pública tenha sinais claros de reversão e em consequência possa haver uma reversão do índice de confiança que leve ao aumento do investimento, portanto geração de empregos, portanto consumo, portanto bancos voltem a emprestar”, afirma.

Meirelles disse ainda que está em discussão uma fórmula para limitar os gastos públicos.

“Um controle legal, até constitucional, da trajetória de gastos é uma das alternativas interessantes que certamente serão contempladas”, afirma.

Henrique Meirelles deve voltar a se reunir com Michel Temer mais uma ou duas vezes esta semana para afinar as propostas para a economia. Nesta terça-feira (3), o vice presidente conversa com o PSDB. Governadores, senadores e deputados tucanos almoçam no Palácio do Jaburu. Eles vão entregar a Temer uma carta com propostas para ajudar o país a superar a crise econômica. São itens que o partido considera fundamentais para participar de um possível governo Temer.

O documento tem 15 itens. Entre eles, o partido propõe que sejam asseguradas a continuidade de todas as investigações, em especial a Lava-Jato, com foco no combate à corrupção. E que seja garantida a independência da Controladoria-Geral da União, do Tribunal de Contas da União, daPolícia Federal e do Ministério Público.

Reforma política imediata: com imposição de cláusula de desempenho eleitoral mínimo para o funcionamento dos partidos políticos. O PSDB ainda defende que se volte a discutir a implementação do Parlamentarismo a partir de 2018.

A manutenção e qualificação dos programas sociais, em especial o Bolsa Família, o Minha Casa Minha Vida, o Pronatec, o Fies e o Prouni.

Responsabilidade fiscal, ou seja, o governo não pode gastar mais do que arrecada.

E combate à inflação.

O partido também defende a simplificação do sistema tributário. Outros ministeriáveis do possível governo Temer também estiveram com Meirelles e o vice-presidente.

Eliseu Padilha, que pode ser ministro da Casa Civil, Geddel Vieira Lima, citado na Operação Lava-Jato, e que pode ir para a Secretaria de Governo, além do senador Romero Jucá, investigado na Lava-Jato e cotado para o Ministério do Planejamento.

Jucá disse que as medidas anunciadas pela presidente Dilma no fim de semana, como a correção do Bolsa Família, aumentam despesas em um momento em que o governo tem um déficit fiscal “astronômico”.

“Lamentavelmente o governo perdeu o parâmetro de qualquer conta e está executando despesas em uma tentativa de desequilibrar mais ainda o orçamento público. Isso não é a forma correta de agir, mas nós vamos analisar todos os dados no momento apropriado”, afirma o senador.

E o vice Michel Temer conta com o PSDB para preencher cargos da Esplanada dos Ministérios. As conversas continuam sobre distribuição de cargos por partidos aliados em um eventual governo Temer.

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