Há 10 anos

Em 98 o Brasil assistia no Jornal Nacional uma família tabirense do sítio Tanque, limite com o município de São José do Egito comendo palma e calango. O caso repercutiu nacionalmente e a revista Veja também deu ampla divulgação ao caso em uma reportagem sobre o mapa da fome no Brasil.

Veja parte da matéria da Veja daquela época:

Desamparados pelos governos e à mercê da chuva que não vem, centenas de milhares de brasileiros vivem sob a ameaça de não ter o que comer no dia seguinte

O agricultor Severino José dos Santos, de 59 anos, morador de Tabira, no sertão de Pernambuco, teve sua pequena horta de milho e feijão destruída. A família resolveu comer a palma, um cacto repleto de espinhos que serve normalmente para alimentar o gado. Sua mulher, Maria do Carmo da Silva (foto acima), 47 anos, dá a receita. “Raspei os espinhos, passei em seis águas para tirar a baba verde da planta e cozinhei com sal. Depois, dei para a família provar. Todo mundo fez cara feia, mas, pelo menos, ficou de barriga cheia.” A palma ingerida parece inchar no estômago. Faz peso. Ajuda. Os cinco filhos da casal agüentam o gosto ruim, mas Severino não consegue engolir. Às vezes, o cardápio é reforçado com uma sopa rala feita com ossos de boi, que Severino ganha dos comerciantes. Outras vezes, a situação fica terrível. “Quando falta comida mesmo, a gente põe os meninos para correr atrás dos calangos. Mas é difícil, tem de ficar o dia inteiro correndo porque esses bichos correm demais”, conta a mulher. A família está sem dinheiro. Não consegue pagar nem a conta de luz. Custa 1,34 real.

Afogados da Ingazeira, Pernambuco

O pedreiro Antonio Morato da Silva, 33 anos, pai de quatro filhos (foto acima, a família): às 6 horas da manhã do dia 16 de abril, junto com mais 500 pessoas, o pedreiro foi até o armazém (foto abaixo) onde estavam estocados os alimentos do Comunidade Solidária e fez um saque. Levou para casa 25 quilos de arroz e quase 50 de macarrão.

Tabira, Pernambuco
Maria do Carmo da Silva, 47 anos, mãe de cinco filhos, corta palma para comer. A sua receita: “Raspei os espinhos, passei em seis águas para tirar a baba verde e cozinhei com sal. Todo mundo fez cara feia, mas, pelo menos, ficou de barriga cheia”.

Mapa da fome traçado pela Veja, na época

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  1. Gosta de aparecer em situações como estas, é Aristides Santos. Nunca vi homem pra gostar de colocar o povo como escuto, para depois ele aparecer na imprensa, como sendo o bonzinho. Afinal ele é PT e nunca sabe de nada que ocorreu.

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