FUTUROS MÉDICOS TÊM O PIOR DESEMPENHO EM PARTE CLÍNICA DESDE 2005

O conhecimento de futuros médicos sobre questões de clínica médica, área essencial para o exercício da profissão, é o pior desde 2005, segundo avaliação realizada pelo Conselho Regional de Medicina (Cremesp). Todos os anos, o órgão aplica uma prova para estudantes que estão terminando o curso em instituições públicas e privadas do Estado de São Paulo.

Os resultados da última edição do exame, divulgados nesta terça-feira (15), mostram que dos 621 alunos prestes a se formar, apenas 48,45% acertaram as perguntas sobre atendimento clínico, importante em pronto-socorro, por exemplo. Em 2005, primeira vez que o exame foi feito, houve 55,25% de acerto. Pelos resultados, os estudantes de Medicina sabem mais, por exemplo, sobre bioética – as questões sobre o tema tiveram índice de acertos de 85,69%, o maior porcentual de respostas corretas na primeira fase do exame.

“A prova é de dificuldade média a fácil e os estudantes apresentaram baixo desempenho naquilo que deveriam saber melhor, que é a clínica médica, porque esta é a porta de entrada para o paciente que procura o hospital ou o serviço de emergência”, diz o coordenador do exame do Cremesp, Bráulio Luna. Para ele, o resultado da prova pode não refletir a realidade do mercado. “Avaliamos a melhor amostra de alunos porque só comparece o estudante que se sente preparado”, garante.

A prova é aplicada anualmente de forma voluntária e não tem validade legal, diferentemente do exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), na qual o aluno reprovado não pode exercer a profissão. No Estado, o único exame que avalia o conhecimento dos futuros médicos é o Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade), realizado a cada três anos pelo Ministério da Educação. Para os estudantes, a prova do Cremesp não é a melhor forma para avaliar o curso. Segundo eles, falta uma avaliação prática e também um controle maior dos cursos universitários paulistas.

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