Escolas, estádios e aferição de temperatura em estabelecimentos: o que muda com as novas flexibilizações em Pernambuco?

Diante do avanço da vacinação contra a covid-19, com mais de 66% da população pernambucana com o esquema vacinal completo, o governo do Estado anunciou mais flexibilizações

Diante do avanço da vacinação contra a covid-19 em Pernambuco, com mais de 66% da população pernambucana com o esquema vacinal completo, o governo do Estado anunciou, nesta quinta-feira (11), mais flexibilizações no Plano de Convivência com a Covid-19. As novas regras passam a valer a partir da próxima segunda-feira (15), em todo o território estadual. Entre os anúncios feitos, estão a ampliação de torcida nos estádios e o fim do distanciamento entre bancas escolares e da obrigatoriedade da aferição de temperatura nas entradas dos estabelecimentos.

“Não teremos mais essa obrigação, como o protocolo prevê até então”, disse o secretário de Turismo e Lazer de Pernambuco, Rodrigo Novaes, durante coletiva de imprensa.

O gestor estadual também confirmou que a temporada dos cruzeiros de turismo 2021/2022 está liberada para acontecer no litoral pernambucano e no Arquipélago de Fernando de Noronha. Logo após o anúncio, a direção do Porto do Recife informou que o ancoradouro segue sem solicitações de paradas de embarcações de cruzeiro, por parte dos armadores dos navios.

Segundo o governo, avanços como esse só são possíveis porque, além de  avançar na imunização contra covid-19, Pernambuco permanece com estabilidade nos indicadores da pandemia Na semana epidemiológica 44, que compreende o período entre 31 de outubro e 6 de novembro, foram notificados 368 casos de síndrome respiratória aguda grave (srag), o que representa diminuição de 6%, em comparação com a semana 43 e de 14% em relação à semana 42.

O mesmo ocorre com as solicitações de vagas de terapia intensiva (UTI) à Central de Regulação do Estado, que também apresentaram redução. Foram 235 solicitações por leitos de terapia intensiva na semana 44 – uma queda de 4% em relação às semanas 42 e 43. Um comparativo com o mesmo período do ano passado, aponta uma queda de 44% nas notificações de srag e de 53% nas solicitações por vagas de UTI.

“Há exatamente um ano, tínhamos mais de 600 pacientes ocupando leitos de UTI. Hoje são menos de 400. Isso não é obra do acaso. É fundamentalmente o impacto da vacinação no braço das pessoas. Por isso, o cenário atual permite novas progressões no plano de convivência, com ampliação do público nos estádios de futebol para até 50% da capacidade e também a redução no distanciamento nas escolas”, frisou o secretário Estadual de Saúde, André Longo.

Ele ainda reforçou a importância da imunização em todos os públicos. “Sempre reforço que a pandemia ainda não acabou e, se quisermos vencer o vírus, precisamos manter o cuidado e avançar na vacinação. É fundamental o compromisso de cada um com o processo vacinal. Os imunizantes, além de seguros, são nossos principais aliados na proteção à vida. No entanto, ainda estamos distantes de uma cobertura vacinal mais ampla, que garanta a proteção de todos”, acrescentou André Longo. Atualmente, a Secretaria Estadual de Saúde estima que mais de 600 mil pernambucanos estejam com a segunda dose da vacina em atraso.

Fim do distanciamento obrigatório nas salas de aula                                            Não há mais necessidade de distanciamento mínimo de um metro entre os estudantes nas salas de aulas das escolas públicas e privadas de Pernambuco. O anúncio do fim da exigência, que começa a valer a partir de terça-feira (16), foi feito pelo secretário estadual de Educação, Marcelo Barros. Com isso, as unidades de ensino não precisam mais adotar rodízios de turmas, uma vez que poderão funcionar com a capacidade que tinham antes das restrições provocadas pela pandemia de covid-19.

“Hoje praticamente 100% dos profissionais de educação de Pernambuco já receberam a segunda dose da vacina. E o ritmo de vacinação dos jovens de 12 a 17 anos está aumentando. Cerca de 60% dos adolescentes nessas idades tomaram a primeira dose e até o final de novembro nossa expectativa é que toda essa população esteja vacinada”, afirmou o secretário. “Esses dados são analisados diariamente e dão mais segurança para avançar nos protocolos”, comentou Marcelo Barros.

Outra mudança é a diminuição do tempo de afastamento do estudante ou do profissional de educação que adoecer de covid-19. Antes a pessoa tinha que ficar 14 dias sem ir presencialmente para a escola. Agora serão 10 dias. “E acaba a necessidade de medir a temperatura corporal na entrada das escolas. Essa medida, na verdade, é válida para todos os estabelecimentos e não apenas para as unidades de ensino”, comentou Marcelo. Ele lembrou que o uso de máscaras no ambiente escolar continua valendo.

Repercussão
O fim do distanciamento foi criticado pela presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Pernambuco (Sintepe), Ivete Caetano. “Essa questão não passou por nenhum debate com o Sintepe, o que nos causa estranheza. As escolas são espaços de grande aglomeração e longo tempo de permanência e não estará garantida a segurança sanitária neste momento quando a vacinação ainda não atingiu toda a população. Avaliamos com temeridade um retorno em massa de estudantes para as escolas”, enfatizou Ivete.

Já o presidente do Sindicato das Escolas Privadas de Pernambuco, José Ricardo Diniz, elogiou a medida. “Achamos importante. Como consequência, também se encerram os rodízios, que vinham provocando certo descompasso no cotidiano escolar”, observou.

Público maior nos estádios
O governo estadual autorizou a ampliação de torcida nos estádios de futebol para até 50% da capacidade do local. O secretário de Turismo e Lazer lembrou que o controle vacinal para a entrada nos espaços continua obrigatório.

“A partir de 300 pessoas, o público deve estar 90% vacinado com duas doses ou vacina de dose única e 10% com 1ª dose e teste rápido de antígeno negativo realizado 24 horas, no período que antecede o evento, ou teste RT-PCR negativo realizado até 48 horas antes do evento”, disse Rodrigo Novaes.

Alerta sobre nova onda de covid-19 na Europa
Longo reforçou o quanto a nova onda de covid-19 da Europa faz uma chamada de alerta para todo o mundo, principalmente nas localidades onde a cobertura vacinal completa ainda está abaixo do esperado.

“Muito tem nos preocupado a nova onda da doença na Europa, que aponta risco de repique da infecção pelo vírus, especialmente no período sazonal e com foco naqueles, nesses países europeus, que não tomaram a vacina. Isso reforça a importância da imunização. A pandemia não acabou e não é momento de relaxamento total, apesar de a situação ter melhorado muito. Mas permanecemos com a circulação viral e, por isso, ainda temos riscos (de novas altas da covid-19)”, alertou o secretário.

Com a quarta onda da covid-19 em países europeus em pleno vigor na aproximação do inverno (estação propícia à disseminação do coronavírus), o secretário refletiu o quanto isso pode demonstrar tendência. “Temos até fevereiro para corremos juntos para atingirmos melhores indicadores de vacinação e, dessa maneira, enfrentar o período de maior ocorrência de vírus respiratórios  (geralmente de março a junho em Pernambuco), a fim de evitar eventual terceira onda da covid-19”, salientou Longo.

O secretário reforçou que “a única forma de evitarmos o pior é com a vacina, avançando. É a vacina que pode nos dar uma condição melhor em 2022, especialmente quando chegar a maior circulação viral”.

Fonte: JC

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