Em Pernambuco, oposição é a favor do impeachment, enquanto governistas chamam de chantagem

pernambuco votoJornal do Commercio

O pontapé no impeachment da presidente Dilma Rousseff dividiu a bancada pernambucana no Congresso. Até aqueles que se declaravam favoráveis ao impedimento, como o deputado Jarbas Vasconcelos, rechaçaram a manobra de Eduardo Cunha (PMDB), a quem classificou de “chantagista”. A opinião é endossada pela ala governista do Parlamento. Já tucanos e democratas, que rumaram ao lado de Cunha em prol do pedido de afastamento da petista e se distanciaram após as denúncias de corrupção envolvendo o parlamentar, defendem a legitimidade do pedido.

Crítico ferrenho ao presidente da Câmara, Jarbas afirma que a abertura do impeachment é consumação de uma chantagem. Segundo ele, a análise do pedido não pode ser conduzida por alguém sem “legitimidade”.

Já o líder do DEM na Câmara, Mendonça Filho, defende que o processo tem “embasamento legal e sustentação política”, em referência ao julgamento do Tribunal de Contas da União (TCU) das pedaladas fiscais de 2014. A opinião é reforçada pelo líder da Minoria, deputado Bruno Araújo (PSDB). Segundo ele, Dilma deve deixar o Planalto para fazer seu direito de defesa. “Foi um ano inteiro de mobilização e houve a decisão de iniciar o processo em cima de uma representação que reúne elementos para que se possa processar a presidente”, justificou.

A leitura é que a decisão de Cunha é uma tentativa de recuperar o apoio do PSDB, que anunciou mês passado o rompimento com ele. Em troca, espera que o líder do PSDB na Câmara, Carlos Sampaio, convença os dois deputados tucanos que integram o Conselho de Ética – o pernambucano Betinho Gomes e Nelson Marchezan Junior (PSDB/RS) – a renunciarem ou mudarem de posição pelo arquivamento do pedido de cassação do mandato do peemedebista. Betinho, porém, reitera que é a favor da abertura do processo contra Cunha e defende o afastamento de Dilma e de seu vice Michel Temer.

Para o líder do PT no Senado, Humberto Costa, é incontestável que a decisão de Cunha é “retaliação de baixo nível ao Governo e ao PT”. Já o více-líder do governo na Câmara, Silvio Costa (PSC), diz que Cunha não tem credibilidade moral, política e nem jurídica para pedir o afastamento presidencial.

O governador Paulo Câmara (PSB) recorre à diplomacia e evita antecipar julgamentos sobre a situação. Ele defende uma definição para que o Brasil possa superar a atual situação de paralisia na política e na economia.

Já o prefeito do Recife, Geraldo Julio (PSB), avalia que o cenário exige serenidade e responsabilidade. “O rito do processo estabelecido na Constituição deve garantir que o mesmo só prossiga se, de fato, existir legitimidade na instalação e forem comprovados os  motivos legais do afastamento”, pontua.

Deixe uma resposta