Conselheiro afastado do TCE-RJ nega acusações e diz ser vítima de farsa

Globo.com

Após passar 10 dias no complexo penitenciário de Gericinó, em Bangu, na Zona Oeste do Rio, o conselheiro afastado do Tribunal de Contas do Estado (TCE) Marco Antônio Alencar disse estar revoltado e afirmou que sua prisão foi uma farsa.

“Eu fiquei 10 dias preso em Bangu vítima de uma farsa feita por dois bandidos confessos. Pai e filho que induziram o MP e o juiz em erro. Não há uma prova contra mim, eu não tenho meu nome citado por nenhum empresário, por nenhum fornecedor do estado, por nenhuma autoridade. É só e simplesmente a palavra de dois bandidos confessados. Estavam acuados e resolveram espalhar acusações a torto e a direita. Eu fiquei em Bangu e eles estão em Paris, entendeu? Eu fiquei 10 dias sendo achincalhado, linchado por causa de uma versão de dois facínoras, de dois bandidos: pai e filho. Um pai, olha o caráter desse indivíduo, um pai que põe o filho pra fazer o tipo de coisa que ele diz ter feito. Isso é um absurdo, eu estou indignado, revoltado”, desabafou Alencar, ao deixar o complexo penitenciário, na noite desta sexta (7).

Os conselheiros são suspeitos de cobrar propina para fazer vista grossa nas fiscalizações. Os investigadores dizem que o esquema funcionou durante o governo de Sérgio Cabral. As empreiteiras pagavam propina para ganhar contratos de obras públicas e o dinheiro era dividido entre o então governador, auxiliares e conselheiros do Tribunal de Contas do Estados.

Jonas Lopes e o filho dele, Jonas Lopes Neto, recebiam dinheiro ilegal e repassavam uma parte para os conselheiros. “Eu nunca tive um processo na vida e fiquei 10 dias. Pela única versão, não existe uma prova material, uma evidência, uma gravação, um dinheiro, um depósito, nada. Não existe um empresário que tenha me denunciado, um fornecedor que tenha feito menção ao meu nome”, afirmou Alencar.

Os outros quatro conselheiros do TCE-RJ que tinham sido presos também deixaram o complexo de presídios na noite desta sexta. A soltura dos cinco foi determinada pelo ministro Felix Fischer, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), na tarde desta sexta. Eles estavam em prisão temporária desde o dia 29 de março após a Operação Quinto do Ouro da Polícia Federal. Na mesma operação também foi preso o ex-conselheiro Aluísio Gama de Souza.

Na mesma decisão, o ministro Felix Fischer determinou o afastamento deles do cargo por 180 dias. Além disso, o magistrado mandou afastar da Corte de fiscalização o conselheiro Jonas Lopes, delator do esquema de corrupção investigado pela Operação Quinto do Ouro.

Pela decisão do ministro do STJ, ficam afastados do TCE-RJ os conselheiros:

  • Aloysio Neves, atual presidente do TCE-RJ;
  • Domingos Brazão, vice-presidente do TCE-RJ;
  • José Gomes Graciosa, conselheiro;
  • Marco Antônio Alencar, conselheiro;
  • José Maurício Nolasco, conselheiro;
  • Jonas Lopes, conselheiro;

Segundo o gabinete do ministro Fischer, os conselheiros continuarão recebendo salários. Somente se forem condenados é que eles poderão perder o cargo e, consequentemente, o salário. De acordo com a decisão, os conselheiros estão proibidos de entrar no tribunal por seis meses e devem entregar os passaportes.

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