Com o mês de março, começa fase de maior circulação da gripe, e secretário de Saúde de Pernambuco cobra antecipação da vacinação pelo ministério

O Instituto Butantan já entregou, ao Ministério da Saúde, aproximadamente 7 milhões de doses com nova cepa H3N2 Darwin para encaminhar aos Estados. Mas infelizmente, até o momento, nada foi distribuído

O aparecimento e o salto repentino da gripe H3N2 no fim do ano passado em Pernambuco, provocados por um subtipo do vírus influenza conhecido como Darwin, fazem despontar agora uma preocupação adicional com a doença neste período em que tradicionalmente se inicia a sazonalidade (termo que se refere a uma determinada estação ou época) das infecções respiratórias no nosso Estado e demais localidades do Nordeste. Apreensivo com este cenário, o secretário de Saúde de Pernambuco, André Longo, cobra que o Ministério da Saúde antecipe a campanha de vacinação contra contra gripe. Somente da segunda quinzena de dezembro até agora, o Estado confirmou laboratorialmente 9.878 casos de influenza A (98% do subtipo H3N2) e 275 mortes de pessoas que positivaram para o vírus.

Diante desse impacto provocado pelo H3N2 num surto fora de época, é preciso pressa para iniciar a imunização nesta sazonalidade. E as vacinas já estão disponíveis para isso. Na última sexta-feira (25), o Instituto Butantan adiantou a entrega de imunizantes contra influenza para a imunização deste ano, com o envio do primeiro lote de 2 milhões de doses ao Programa Nacional de Imunizações. A entrega foi feita antes do previsto, após os dados obtidos sobre as novas cepas serem enviados e aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O Butantan trabalha para entregar, até abril, 80 milhões de doses para a campanha nacional. A vacina que será distribuída no Sistema Único de Saúde (SUS) é composta pelos vírus H1N1, a cepa B e o H3N2 do subtipo Darwin, que causou os surtos no fim do ano passado.

“Estamos preocupados, neste momento, com a reintrodução da influenza em Pernambuco. Precisamos de um cuidado adicional. Então, é fundamental que Ministério da Saúde antecipe a campanha de vacinação para as pessoas mais susceptíveis (ao agravamento da doença), como as crianças menores, de até 2 anos, e os mais idosos (a partir 85 anos)”, frisou André Longo, em coletiva de imprensa nesta quarta-feira (2).

Além do lote de 2 milhões de doses da sexta-feira, o ministério também recebeu, na segunda-feira (28), mais um segundo lote. Com isso, o governo federal já tem posse de aproximadamente sete milhões de doses para encaminhar aos Estados. Infelizmente, até o momento, nada foi liberado. “É fundamental que essas primeiras doses sejam distribuídas imediatamente, em especial aos Estados que têm a sazonalidade agora em março, como é o caso de Pernambuco. Se (o ministério) só tem doses para até 2 anos, que distribua para os Estados começarem de imediato a imunização”, salientou Longo. “Sabemos que a nossa sazonalidade tem potencial de gerar ocorrências (casos respiratórios). Mesmo com o episódio (surto) que tivemos em dezembro e janeiro, ainda há muitos susceptíveis à infecção pela influenza. Então, precisamos da sensibilidade do Ministério da Saúde para distribuir o mais rápido possível as doses de vacina”, acrescentou.

Para quem tomou o imunizante no fim do ano passado, devido à explosão da gripe H3N2, fica a dúvida sobre a necessidade de se vacinar novamente. E a resposta é sim, pois a vacina deste ano é diferente da oferecida em 2021. O vírus da influenza sofre mutações todos os anos e, justamente por isso, as vacinas também são diferentes a cada campanha vacinal.

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