{"id":41196,"date":"2014-05-30T18:14:39","date_gmt":"2014-05-30T21:14:39","guid":{"rendered":"http:\/\/www.tabirahoje.com.br\/?p=41196"},"modified":"2014-05-30T18:19:13","modified_gmt":"2014-05-30T21:19:13","slug":"materia-do-jornal-cruzeiro-do-sul-conta-historia-de-tabirense","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.tabirahoje.com.br\/?p=41196","title":{"rendered":"Mat\u00e9ria do Jornal Cruzeiro do Sul conta hist\u00f3ria de Tabirense"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www.tabirahoje.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/tabirense-1.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-41197\" src=\"http:\/\/www.tabirahoje.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/tabirense-1.jpg\" alt=\"tabirense-1\" width=\"680\" height=\"452\" srcset=\"http:\/\/www.tabirahoje.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/tabirense-1.jpg 680w, http:\/\/www.tabirahoje.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/tabirense-1-300x199.jpg 300w, http:\/\/www.tabirahoje.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/tabirense-1-451x300.jpg 451w\" sizes=\"(max-width: 680px) 100vw, 680px\" \/><\/a>\u00c9 do descanso alheio que Severino faz a vida. Apoia-se na sombra das \u00e1rvores e no papo descompromissado para garantir aquilo que a aposentadoria n\u00e3o garante: a sobreviv\u00eancia. Todos os dias, ele acorda \u00e0s 7h. Carrega seu carrinho de m\u00e3o e segue, do in\u00edcio da avenida Arthur Bernardes, pr\u00f3ximo \u00e0 Marginal, onde reside h\u00e1 quase 40 anos, at\u00e9 a Pra\u00e7a do Truco, na rua Ubirajara. S\u00e3o quase 2 quil\u00f4metros de percurso, feito com vagareza. Afinal, \u00e9 preciso cumprimentar os amigos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">At\u00e9 que ele estaciona, pr\u00f3ximo \u00e0 sede da Associa\u00e7\u00e3o de Pais e Amigos dos Exepcionais (Apae), na Vila Progresso. Ali, por volta das 8h, ele arma a rede e fica \u00e0 espera dos peixes. Quer dizer, dos clientes. Sim, seu Severino \u00e9 o conhecido vendedor de redes da Ubijarara. A rotina lhe fez conhecido. L\u00e1 se v\u00e3o 27 anos armando e vendendo redes. Of\u00edcio que come\u00e7ou em 1986, quando se aposentou. &#8220;As redes s\u00e3o de Pernambuco. Tenho exemplares de 3 metros por 1,40 m de largura e de 4 metros por 1,80 m. N\u00e3o s\u00e3o costuradas e a trama \u00e9 resistente. Aguenta at\u00e9 150 quilos&#8221;, detalha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os exemplares variam de valor, mas n\u00e3o passam de R$ 80. Al\u00e9m delas, Severino Pereira Neto vende mantas, para sof\u00e1s e para camas. Nas mais diferentes estampas. Para agradar v\u00e1rios gostos. Principalmente dos paulistas. &#8220;S\u00e3o os que me sustentam&#8221;, avisa. Devido os 79 anos de idade, a jornada que era de 9 horas di\u00e1rias, hoje \u00e9 de 4 horas, ou seja, meio-dia ele retorna para casa. Um per\u00edodo que seu Severino divide entre os atendimentos aos clientes e o papo com os amigos. Muitos, residentes ali no bairro, que passam por ele ao ir ao mercado ou \u00e0 banca de revistas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-41198\" src=\"http:\/\/www.tabirahoje.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/tabirense-2.jpg\" alt=\"tabirense-2\" width=\"680\" height=\"453\" srcset=\"http:\/\/www.tabirahoje.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/tabirense-2.jpg 680w, http:\/\/www.tabirahoje.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/tabirense-2-300x199.jpg 300w, http:\/\/www.tabirahoje.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/tabirense-2-450x300.jpg 450w\" sizes=\"(max-width: 680px) 100vw, 680px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Conhe\u00e7o muita gente aqui. Muitos compravam comigo quando jovens, trouxeram os filhos, hoje s\u00e3o os netos meus clientes&#8221;, comemora. Tanto \u00e9 que, quando precisa ir ao banheiro, na lanchonete do outro lado da rua, por exemplo, amigos n\u00e3o faltam para lhe socorrer e cuidar de seus pertences. \u00c9 o caso de seu Mois\u00e9s Antonio dos Santos, de 64 anos, advogado aposentado, morador do bairro. Um dos que n\u00e3o passa um dia sem conversar com Severino. E \u00e9 ele que conta sobre uma peculiaridade do vendedor: o amor pelas \u00e1rvores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Aqui na pra\u00e7a, boa parte delas foi ele quem plantou&#8221;, avisa. Severino confirma. Diz que come\u00e7ou a plantar \u00e1rvores justamente quando passou a vender redes. &#8220;Sempre gostei de plantas, de \u00e1rvores. E quando comecei a vender redes, senti necessidade da sombra, para armar minha rede&#8221;, assume. Foi por isso que, ao longo dos \u00faltimos anos, ele plantou boa parte das \u00e1rvores que hoje tomam a avenida Arthur Bernardes. &#8220;N\u00e3o iniciei meu ponto aqui, comecei l\u00e1 embaixo, pr\u00f3ximo \u00e0 Marginal. Em busca de clientes, fui subindo e plantando. Muitas delas, com sementes do nordeste, como juazeiro, abajeru&#8221;, enumera.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Iniciativa que ele levou para casa. &#8220;Muitas vezes a Prefeitura trouxe mudas aqui para que ele ajudasse a plantar, acho bonito isso&#8221;, diz dona Virg\u00edlia Pereira, de 70 anos, esposa h\u00e1 53 anos. E \u00e9 justamente ela quem diz que por tr\u00e1s dessa pr\u00e1tica nobre, existe um Severino briguento. Que brigou pela sombra, por exemplo. E que se hoje alimenta-se do descanso alheio, \u00e9 porque no passado brigou pela vida. Sua jornada, destaca ela, come\u00e7ou com muito suor, ao nascer durante a grande seca, <strong>em Tabira, no sert\u00e3o pernambucano<\/strong>. Filho de lavradores e com seis irm\u00e3os menores, Severino teve uma vida severina, marcada pela a fome.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-41200\" src=\"http:\/\/www.tabirahoje.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/tabirense-4.jpg\" alt=\"tabirense-4\" width=\"679\" height=\"453\" srcset=\"http:\/\/www.tabirahoje.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/tabirense-4.jpg 679w, http:\/\/www.tabirahoje.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/tabirense-4-300x200.jpg 300w, http:\/\/www.tabirahoje.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/tabirense-4-449x300.jpg 449w\" sizes=\"(max-width: 679px) 100vw, 679px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o com 22 anos rumou para S\u00e3o Paulo, a terra da promessa. Um ano depois, em 1958, chegou em Sorocaba. Como s\u00f3 tinha at\u00e9 o 3\u00ba ano do ensino fundamental, precisou fazer o 4\u00ba ano do ciclo para conquistar um diploma e garantir o emprego na ind\u00fastria t\u00eaxtil, onde fez carreira. Foi quando conheceu dona Virg\u00edlia, que por sua vez, fugia da pobreza da pequena S\u00e3o Miguel Arcanjo (SP). Casaram-se em 1961 e juntos uniram-se num objetivo: o de construir uma fam\u00edlia. Tiveram seis filhos: Antonio, Rosangela, Sergio, Emerson, Denise e Renata.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com mais de 15 anos de casados, conquistaram um terreno no jardim Maria do Carmo, onde levantaram um c\u00f4modo e mudaram-se. &#8220;Foi uma vida sofrida. Viv\u00edamos num \u00fanico espa\u00e7o que era quarto, sala e cozinha&#8221;, lembra ela. &#8220;Foram dois anos para a Prefeitura instalar a \u00e1gua, mais quatro anos para chegar a energia. Enquanto isso, armazen\u00e1vamos \u00e1gua e v\u00edviamos com lamparinas. Ela passava roupas esquentando o ferro no g\u00e1s&#8221;, emenda ele. Foi ent\u00e3o que dona Virg\u00edlia come\u00e7ou a trabalhar como tecel\u00e3 para ajudar na renda dom\u00e9stica. E de pouco em pouco, constru\u00edram outros c\u00f4modos da casa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o, um dia, a artrose se fez presente nas pernas de dona Virg\u00edlia e ela teve de abandonar o emprego. Seu Severino tinha acabado de se aposentar e diante da necessidade, foi arranjar o que fazer. &#8220;Foi a\u00ed que decidi vender redes&#8221;, pontua. O of\u00edcio, legalizado, lhe garante, ainda hoje, um sal\u00e1rio m\u00ednimo. Dinheiro que, no in\u00edcio, lhe ajudou a terminar de criar os filhos e pagar pela aposentadoria de dona V\u00edrgilia. Mais recentemente, \u00e9 o dinheiro que lhe permite sobreviver, comprando os rem\u00e9dios que necessitam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-41199\" src=\"http:\/\/www.tabirahoje.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/tabirense-3.jpg\" alt=\"tabirense-3\" width=\"679\" height=\"452\" srcset=\"http:\/\/www.tabirahoje.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/tabirense-3.jpg 679w, http:\/\/www.tabirahoje.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/tabirense-3-300x199.jpg 300w, http:\/\/www.tabirahoje.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/tabirense-3-450x300.jpg 450w\" sizes=\"(max-width: 679px) 100vw, 679px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Eu aposentei com dois sal\u00e1rios m\u00ednimos. A falta de pol\u00edtica p\u00fablica para aposentados fez nosso sal\u00e1rio murchar. O que recebemos do INSS mal cobre os gastos mensais. Os rem\u00e9dios est\u00e3o muito caros. Eu j\u00e1 operei das varizes. Ela tamb\u00e9m. Para nos manter, s\u00f3 vendendo redes&#8221;, afirma. H\u00e1 13 anos ele se converteu \u00e0 Igreja Metodista. O que causou conflito junto de dona Virg\u00edlia, que \u00e9 cat\u00f3lica. Apesar disso, o amor prevaleceu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E ele n\u00e3o esconde que \u00e9 feliz. Tem orgulho da fam\u00edlia que formou. Conseguiu mant\u00ea-los unidos. &#8220;N\u00e3o pude pagar os estudos, mas garanti a comida, o teto e as roupas de todos&#8221;, diz. Tudo para que os seus n\u00e3o passassem o que ele passou. Ele orgulha-se tamb\u00e9m da casa que construiu. &#8220;\u00c9 simples, mas em cada peda\u00e7o dela tem minha m\u00e3o. Eu a levantei, reboquei&#8230;&#8221;, detalha. E apesar dele dizer que as redes lhe mant\u00eam, \u00e9 o fato de alegrar os outros que lhe faz sentir-se vivo. Ele sabe que a vida \u00e9 como o balan\u00e7ar da rede, vai pr\u00e1 l\u00e1 e para c\u00e1. E que \u00e0s vezes \u00e9 preciso brigar para n\u00e3o deixar-se cair.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 do descanso alheio que Severino faz a vida. Apoia-se na sombra das \u00e1rvores e no papo descompromissado para garantir aquilo que a aposentadoria n\u00e3o garante: a sobreviv\u00eancia. Todos os dias, ele acorda \u00e0s 7h. 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