{"id":28527,"date":"2012-10-21T10:40:00","date_gmt":"2012-10-21T13:40:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.tabirahoje.com.br\/?p=28527"},"modified":"2012-10-21T18:58:28","modified_gmt":"2012-10-21T21:58:28","slug":"no-pajeu-um-repentista-no-poder","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.tabirahoje.com.br\/?p=28527","title":{"rendered":"No Paje\u00fa, um repentista no poder"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Sebasti\u00e3o Dias conduziu a campanha empunhando sua viola e entoando seus repentes, principal manifesta\u00e7\u00e3o cultural da regi\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por Juliane Menezes, na edi\u00e7\u00e3o deste domingo (21), do Jornal do Commercio.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/www.tabirahoje.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/sebastiao_e_violeiros.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-28530\" title=\"sebastiao_e_violeiros\" src=\"http:\/\/www.tabirahoje.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/sebastiao_e_violeiros.jpg\" alt=\"\" width=\"960\" height=\"364\" srcset=\"http:\/\/www.tabirahoje.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/sebastiao_e_violeiros.jpg 960w, http:\/\/www.tabirahoje.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/sebastiao_e_violeiros-300x113.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 960px) 100vw, 960px\" \/><\/a> <em>Foto: Rayane Brito<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se o sertanejo \u00e9, antes de tudo, um forte, e uma das maiores express\u00f5es do Sert\u00e3o pernambucano \u00e9 repente, que conta em poesias as agruras da regi\u00e3o, os eleitores de Tabira, no Sert\u00e3o do Paje\u00fa, depositaram confian\u00e7a em um representante da cultura popular local. Cantador de viola e repentista, o prefeito eleito da cidade, Sebasti\u00e3o Dias (PTB), est\u00e1 acostumado a traduzir o modo de vida do homem sertanejo atrav\u00e9s da arte. Agora, ter\u00e1 que tentar traduzi-lo no papel de gestor p\u00fablico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embora n\u00e3o seja um estreante na pol\u00edtica \u2013 j\u00e1 foi diretor de Cultura, Secret\u00e1rio de Cultura e vereador em Tabira \u2013 Sebasti\u00e3o Dias conta que a oposi\u00e7\u00e3o debochava do fato de um poeta querer chegar \u00e0 prefeitura. Segundo ele, militantes do prefeito e ent\u00e3o candidato \u00e0 reelei\u00e7\u00e3o, Jos\u00e9 Edson Cristov\u00e3o de Carvalho, o Dinca (PSB), distribu\u00edram mil miniaturas de viola e uma r\u00e9plica do instrumento com dois metros de altura, colocada em uma pra\u00e7a que fica em frente \u00e0 sua casa, dizendo que as quebrariam quando ele perdesse a elei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cFaziam chacota, diziam que iam quebrar a viola, iam me \u2018arremedar\u2019 na pra\u00e7a. Mas dizer isso no Paje\u00fa \u00e9 quebrar a cara, n\u00e9? N\u00e3o deu: quem manda no Paje\u00fa \u00e9 a viola, em Tabira principalmente. Isso \u00e9 um reconhecimento ao poeta nordestino, essa figura que reivindica, que canta as dores do povo, o amor a natureza, isso \u00e9 uma coisa muito forte. Eu sensibilizei o meu eleitorado justamente recitando versos e pedindo ao povo que respeitasse a viola, e foi o que aconteceu\u201d, conta ele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E foi inspirado nisso que ap\u00f3s sua vit\u00f3ria Sebasti\u00e3o criou os versos que faz quest\u00e3o de recitar: \u201cForam dias de muito sofrimento\/ afastado do som da minha lira.\/S\u00f3 porque defendi nossa Tabira \/prometeram quebrar meu instrumento.\/ Mas viver sem cultura eu n\u00e3o aguento,\/poesia pra mim \u00e9 coisa bela.\/ E at\u00e9 quando esta m\u00e3o pega na vela \/ poesia ser\u00e1 a minha escola.\/Quem queria quebrar minha viola\/ foi dormir escutando o choro dela.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As bandeiras pol\u00edticas levantadas durante a campanha de Sebasti\u00e3o s\u00e3o as mesmas que ele transmite em sua obra. Em muitas de suas composi\u00e7\u00f5es, ele denunciou a pobreza e as dificuldades do sertanejo, sua preocupa\u00e7\u00e3o com a defesa ambiental, com as desigualdades sociais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ali\u00e1s, quando ele come\u00e7ou a cantar, o Brasil ainda vivia a ditadura militar. Atrav\u00e9s da linguagem da sua poesia, ele fazia a popula\u00e7\u00e3o mais pobre entender o regime. \u201cO cantador teve uma liberdade de express\u00e3o maior. O pessoal estava morrendo nos por\u00f5es e a gente come\u00e7ou a denunciar cantando, denunciando o militarismo, a maldade\u201d, lembra ele, que relata ter sido agredido por um policial militar ap\u00f3s uma apresenta\u00e7\u00e3o em que entoou diversos versos de protesto no Teatro da Paz, em Bel\u00e9m do Par\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sebasti\u00e3o contou ainda que fazia cantorias nas missas do arcebispo em\u00e9rito de Olinda e Recife dom H\u00e9lder C\u00e2mara e nas manifesta\u00e7\u00f5es do \u201cDiretas J\u00e1\u201d, em 1984. Participou tamb\u00e9m, com a cantoria de viola, da campanha que elegeu o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB) pela primeira vez prefeito do Recife (1985).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA viola chamava aquele povo que \u00e0s vezes tinha at\u00e9 medo de sair de casa para concentra\u00e7\u00f5es em qualquer canto. Mas com a viola o povo vinha, e eu fui perdendo o medo. Naquele tempo, tinha um com\u00edcio da direita com 10 mil pessoas, mas voc\u00ea botava menos de duas mil num com\u00edcio das esquerdas como a gente\u201d, relembra o violeiro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sebasti\u00e3o Dias conduziu a campanha empunhando sua viola e entoando seus repentes, principal manifesta\u00e7\u00e3o cultural da regi\u00e3o. Por Juliane Menezes, na edi\u00e7\u00e3o deste domingo (21), do Jornal do Commercio. 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